A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia e transformou a policial militar Yasmin Ferreira em ré pelo homicídio de Thawanna da Silva Salmázio. A decisão judicial avança no processo que investiga a morte da vítima, baleada durante uma abordagem ocorrida no dia 3 de abril deste ano, na região da zona leste da capital paulista.
O caso mobilizou órgãos de controle e gerou forte repercussão pública sobre os protocolos de atuação e o uso de força letal em ocorrências urbanas de rotina. Com a aceitação da denúncia oferecida pelo Ministério Público, o processo segue para a fase de instrução criminal, onde serão ouvidas testemunhas e os envolvidos.
Acusação aponta qualificadoras e dano material
De acordo com a acusação formalizada pelos promotores de Justiça, a agente responderá por homicídio triplamente qualificado. As qualificadoras apontadas incluem motivo fútil, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, que estava desarmada no momento dos disparos.
Além da responsabilização penal, o Ministério Público solicitou à Justiça a fixação de um valor mínimo de R$ 1 milhão para a reparação civil dos danos causados aos familiares de Thawanna. A medida busca amparar financeiramente os parentes diante da perda decorrente da ação policial.
Dinâmica da abordagem na zona leste
O episódio teve início no bairro Cidade Tiradentes, enquanto a vítima caminhava pelas ruas da região acompanhada de seu companheiro. Uma viatura da Polícia Militar realizava patrulhamento quando passou perto do casal, momento em que houve um contato físico com o braço do homem.
Segundo os relatos reunidos na investigação, o homem perdeu o equilíbrio após a passagem do veículo e acabou atingindo o retrovisor da viatura. A partir desse esbarrão, os agentes decidiram parar para averiguar a situação, desencadeando um desentendimento verbal e físico entre os policiais e os pedestres.
Disparo letal e falta de socorro imediato
A investigação aponta que a escalada da discussão resultou no disparo de arma de fogo efetuado pela policial. O tiro, de calibre .40, atingiu a região abdominal de Thawanna, que não oferecia resistência ou ameaça que justificasse o uso de força letal, conforme sustentam os promotores do caso.
Outro ponto central da denúncia envolve o tempo de atendimento prestado à vítima. Relatos indicam que Thawanna permaneceu ferida no local por mais de meia hora antes de receber socorro definitivo. Ela foi posteriormente atendida pelo Samu e encaminhada ao Hospital Tiradentes, mas não resistiu aos ferimentos graves.
O caso segue em tramitação na Agência Brasil, e novas etapas processuais definirão os próximos passos da defesa e da acusação perante o tribunal paulista.
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