Progressão de regime e condições impostas pelo STF
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a progressão de regime para o semiaberto de Débora Rodrigues dos Santos, amplamente conhecida como “Débora do Batom”. A cabeleireira foi condenada a 14 anos de prisão por sua participação ativa nos atos antidemocráticos ocorridos em 8 de janeiro de 2023, em Brasília.
Apesar da mudança no status da pena, a decisão impõe restrições específicas. Devido ao fato de ser mãe de filhos menores de idade, Débora permanecerá em regime domiciliar. A progressão, contudo, altera sua rotina jurídica, permitindo que ela possa sair de casa durante o período diurno, conforme as regras do regime semiaberto adaptadas à sua condição familiar.
O episódio da pichação na estátua da Justiça
Débora Rodrigues dos Santos tornou-se um dos rostos mais emblemáticos dos episódios de vandalismo contra as sedes dos Três Poderes. Sua notoriedade pública surgiu após ser identificada como a autora da pichação com batom na estátua “A Justiça”, obra de Alfredo Ceschiatti, localizada em frente ao edifício-sede do STF. A frase escrita, “Perdeu, mané”, tornou-se um símbolo da depredação ocorrida naquele dia.
A condenada iniciou o cumprimento da pena em setembro de 2025, após um período de prisão preventiva que já era cumprido em regime domiciliar. O caso reflete o rigor das investigações conduzidas pela Corte sobre os envolvidos na invasão que resultou em danos severos ao patrimônio público e às instituições democráticas.
Contexto da condenação e o papel da Lei da Dosimetria
A sentença de 14 anos foi proferida pela Primeira Turma do STF, com um placar de 4 a 1. Débora foi considerada culpada pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, associação criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A defesa da ré buscava, desde maio, a aplicação da chamada Lei da Dosimetria, promulgada pelo Congresso Nacional com o objetivo de revisar cálculos de penas para condenados pelos atos de 8 de janeiro.
Entretanto, os efeitos dessa legislação foram suspensos por uma decisão monocrática de Alexandre de Moraes. A medida permanece em vigor até que o plenário do STF conclua o julgamento de ações diretas de inconstitucionalidade que questionam a validade da nova norma. A suspensão mantém, por ora, a estrutura das penas aplicadas anteriormente pelo tribunal.
Repercussão e desdobramentos dos atos de 8 de janeiro
Os eventos de 8 de janeiro de 2023 marcaram um dos momentos mais críticos da história política recente do Brasil. Centenas de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, inconformados com o resultado das eleições, invadiram e depredaram as sedes do Executivo, Legislativo e Judiciário. O prédio do STF sofreu danos estruturais significativos, incluindo a destruição de mobiliário e obras de arte de valor inestimável.
O Fato Paulista segue acompanhando os desdobramentos jurídicos e políticos relacionados aos processos do 8 de janeiro. Nosso compromisso é levar até você uma cobertura jornalística pautada na transparência, na apuração rigorosa dos fatos e na análise contextualizada dos eventos que moldam o cenário nacional. Continue acompanhando nosso portal para atualizações sobre este e outros temas relevantes da justiça brasileira.
Para mais detalhes sobre as decisões do tribunal, consulte o portal oficial do STF.




