A espera por justiça no Tribunal do Júri
Cinco anos após a morte de Kathlen Romeu, seus pais, Jacklline de Oliveira e Luciano Gonçalves, preparam-se para um momento decisivo: o julgamento dos policiais militares acusados pelo crime. Marcado para o dia 26 de novembro de 2026, no Tribunal do Júri, o processo representa a esperança de uma resposta definitiva para uma tragédia que interrompeu a vida da jovem de 24 anos e de seu filho, que ainda não havia nascido.
Kathlen, que estava grávida de quatro meses, foi atingida por disparos durante uma ação policial no Lins de Vasconcelos, Zona Norte do Rio de Janeiro, em 8 de junho de 2021. Na ocasião, ela visitava a avó quando foi surpreendida pelo confronto. Os agentes envolvidos, Rodrigo Correia de Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano, alegaram que miravam em criminosos, uma versão que não foi comprovada pelas investigações do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).
O impacto da letalidade policial e a luta familiar
Para Jacklline e Luciano, a dor da perda é agravada pela sensação de impunidade que frequentemente cerca casos de violência estatal. O casal, que transformou a casa em um memorial para a filha, tem travado uma batalha incansável por reparação e memória. A luta não é apenas pelo caso específico de Kathlen, mas por uma mudança estrutural na política de segurança pública que, segundo eles, ceifa vidas diariamente nas periferias.
A trajetória até o banco dos réus foi marcada por obstáculos. Embora os policiais tenham sido absolvidos de fraude processual na Justiça Militar, a decisão foi revertida pela 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Atualmente, os acusados respondem ao processo em liberdade e encontram-se afastados de suas funções na corporação. A defesa dos militares não retornou os contatos para comentar o caso.
Estatísticas e o desafio da condenação
O caso de Kathlen Romeu é uma exceção dentro de uma estatística preocupante. Dados do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) indicam que uma parcela reduzida de mortes causadas por agentes de segurança resulta em denúncias formais, sendo ainda menor o número de condenações efetivas. O cenário reflete a dificuldade do sistema judiciário em responsabilizar o Estado por abusos de força.
O contexto fluminense é alarmante: conforme o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a polícia do Rio de Janeiro registrou 798 mortes em 2025. Esse número compõe uma fatia significativa das mortes violentas intencionais no estado, evidenciando o custo humano das operações policiais. Para os pais de Kathlen, a condenação dos envolvidos é um passo necessário para que a sociedade civil reafirme o valor da vida e interrompa o ciclo de violência.
Compromisso com a verdade
Enquanto aguardam o veredito, Jacklline e Luciano seguem mobilizando a sociedade para que a indignação inicial não se perca com o passar do tempo. A busca por justiça é, para eles, um ato de resistência em nome de todas as famílias que perderam entes queridos em situações semelhantes. O Fato Paulista mantém seu compromisso de acompanhar os desdobramentos deste julgamento, trazendo informações apuradas e contextualizadas sobre os temas que impactam a segurança e os direitos humanos no Brasil. Continue acompanhando nosso portal para atualizações sobre este e outros casos de relevância nacional.



