O mercado de trabalho formal brasileiro apresentou uma reação positiva no mês de agosto, registrando a abertura de 165.827 postos de trabalho com carteira assinada. Os dados, consolidados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, revelam um cenário de recuperação em comparação ao mês anterior, quando o país havia registrado a criação de 58.568 vagas.
Dinâmica setorial e força do setor de serviços
O desempenho positivo de agosto foi impulsionado por todos os cinco grandes setores da economia, que apresentaram saldo positivo de contratações. O setor de serviços manteve sua posição de protagonista, sendo responsável pela abertura de 110.346 postos. Dentro desta categoria, o segmento de educação destacou-se com 25.416 novas vagas, seguido pela área de saúde humana e serviços sociais, que somou 19.142 contratações.
A construção civil também contribuiu de forma expressiva para o resultado, adicionando 20.848 postos ao mercado. O setor industrial, por sua vez, registrou 16.613 novas vagas, impulsionado pela fabricação de produtos alimentícios, que sozinha gerou 10.171 postos. O comércio e a agropecuária completaram o quadro de crescimento, com saldos de 16.565 e 1.452 vagas, respectivamente.
Panorama regional e disparidades estaduais
A geração de empregos foi distribuída por todas as cinco regiões do país, com o Sudeste liderando o ranking ao somar 73.167 novas vagas. O Nordeste acompanhou o ritmo com 59.356 postos, enquanto as regiões Norte, Sul e Centro-Oeste registraram, respectivamente, 13.603, 10.850 e 8.699 novas contratações.
Entre os estados, São Paulo destacou-se com o maior volume de admissões, totalizando 42.533 postos, seguido pelo Rio de Janeiro, com 20.848, e Pernambuco, com 13.428. Em contrapartida, três unidades da federação apresentaram saldo negativo: Rio Grande do Sul, Rondônia e Espírito Santo. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, as demissões nestas localidades estão atreladas a fatores sazonais específicos, como o encerramento da safra de café no Espírito Santo e ajustes na indústria do fumo no Rio Grande do Sul.
Análise do cenário econômico e salarial
Apesar do resultado positivo em agosto, o acumulado dos primeiros oito meses de 2026 aponta para uma desaceleração. O país registrou 1.134.033 novas vagas no período, uma queda de 25,2% em relação ao mesmo intervalo de 2025, quando foram criados 1.516.881 postos. Especialistas apontam que o cenário de juros elevados e a cautela na economia global têm influenciado o ritmo de expansão do mercado de trabalho.
Quanto à remuneração, o salário médio real de admissão fixou-se em R$ 2.410,74. O valor representa uma leve variação negativa de 0,03% em relação a julho, mas mantém um crescimento de 1,02% na comparação anual. Com esses números, o estoque total de trabalhadores com carteira assinada no Brasil atingiu a marca de 48.244.696, consolidando a importância do setor formal para a estabilidade da renda das famílias brasileiras.
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