A campanha do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) acionou o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), em uma nova tentativa de censurar publicações nas redes sociais que fazem referência a Nossa Senhora Aparecida. O pedido busca reverter uma decisão recente do ministro Flávio Dino, que autorizou o restabelecimento de conteúdos que haviam sido removidos por ordem da Justiça Eleitoral.
O recurso foi direcionado a Fux por ele ser o relator da ação que discute o Marco Civil da Internet. A defesa de Flávio Bolsonaro argumenta que a decisão de Dino deve ser suspensa e o caso submetido ao plenário da Corte, invocando precedentes em que o STF conferiu à Justiça Eleitoral prerrogativas para determinar a exclusão de materiais durante o período de campanha.
O embate jurídico sobre a liberdade de expressão
O conflito teve origem em uma postagem do humorista Antonio Tabet, que questionava uma suposta intenção do candidato em destituir Nossa Senhora Aparecida do posto de padroeira do Brasil. O conteúdo, que incluía uma imagem da santa e críticas diretas ao senador, foi inicialmente removido após uma decisão do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro sob a justificativa de disseminação de desinformação.
No último domingo, contudo, o ministro Flávio Dino reverteu o entendimento de Mendonça. Em sua decisão, Dino enfatizou que não é possível identificar, de forma inequívoca, a prática de um ilícito na postagem. O magistrado destacou que, sem uma instrução processual adequada, não se pode aplicar medidas restritivas que afetem diretamente a liberdade de expressão, um pilar central do debate democrático.
Contexto da disputa e repercussão institucional
A polêmica em torno da padroeira do Brasil ganhou força nas redes sociais na última semana, alimentada por boatos de que Flávio Bolsonaro, caso eleito, pretendia alterar o status religioso da santa. O candidato negou categoricamente qualquer intenção nesse sentido e chegou a atribuir a propagação do rumor à Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), acusando a entidade de agir com motivações eleitorais.
A resposta da instituição foi imediata. Na segunda-feira (28), a CNBB divulgou uma nota oficial rebatendo as acusações, negando qualquer envolvimento na disseminação de boatos e classificando as declarações do candidato como um ataque injusto à credibilidade da instituição religiosa.
Desdobramentos no Supremo Tribunal Federal
Após o pedido da defesa de Flávio Bolsonaro para que Fux interviesse na disputa, o próprio ministro Flávio Dino encaminhou sua decisão para referendo do plenário do STF. O movimento indica que a questão deve ser debatida pelos demais ministros da Corte, consolidando o entendimento sobre os limites da intervenção judicial em conteúdos opinativos durante o pleito. O caso reflete o desafio constante do Judiciário em equilibrar o combate à desinformação com a proteção das garantias constitucionais de liberdade de expressão.
O Fato Paulista segue acompanhando os desdobramentos desta disputa jurídica e o impacto das decisões do STF no cenário eleitoral. Continue conosco para se manter informado com análises precisas e a cobertura completa dos fatos que movimentam o país.




