A liberdade de expressão se expandiu como nunca e, paradoxalmente, tornou-se mais difícil garantir que aquilo que circula é verdade.
O dilema não é novo, mas ganhou contornos urgentes de como equilibrar o direito de se expressar com a responsabilidade de não ferir.
A liberdade de expressão é um valor essencial, mas não é um direito absoluto.
Toda sociedade, em algum nível, estabelece limites éticos para impedir que a palavra se transforme em arma.
A diferença entre opinião e desinformação não está na ideologia, mas no impacto.
Uma crítica legítima faz parte do debate democrático; já a mentira deliberada corrói esse debate por dentro.
As chamadas fakes news não são um fenômeno partidário — são um fenômeno humano. Elas nascem da intenção de manipular, lucrar ou influenciar, e se espalham porque exploram nossas emoções.
O combate à desinformação não deveria ser visto como controle de narrativas, mas como proteção da integridade do diálogo público.
Sem confiança mínima, não existe conversa possível.
E quando falamos de crianças e adolescentes, o tema se torna ainda mais delicado. Eles não têm repertório para distinguir fato de manipulação, nem para perceber quando estão sendo emocionalmente explorados.
Proteger menores não é censura, não é limitar a liberdade de expressão, é responsabilidade. A liberdade de um adulto não pode custar a formação de uma criança.
O grande impasse é outro, ou seja, quem define o limite? Plataformas? Estado? Comunidade? Qualquer resposta traz riscos, tanto o da arbitrariedade quanto o da omissão. Talvez o caminho mais ético não esteja em controles rígidos, mas em princípios claros: transparência, educação midiática, responsabilidade compartilhada e mecanismos independentes de verificação, julgamento e punição.
No fim, a pergunta que fica é simples e incômoda: como garantir que a liberdade continue sendo liberdade e não licença ética para ferir física e emocionalmente?
A resposta não é fácil, mas o debate e a polêmica são indispensáveis. E talvez seja justamente na conversa franca, aberta e ética que encontraremos o equilíbrio que tanto buscamos.
Será que temos maturidade para isto?
Marcos Falcon é historiador, contador de histórias e autor de vários livros de crônicas que narram temas de Itaquera.




