Dólar sobe e se aproxima de R$ 5,20 em dia de instabilidade nos mercados globais

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Dólar fecha em alta de 0,47% cotado a R$ 5,19, pressionado por juros nos EUA e incertezas fiscais. Ibovespa recua quase 1% no pregão desta quinta.
Dólar sobe e se aproxima de R$ 5,20 em dia de instabilidade nos mercados globais
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O mercado financeiro brasileiro enfrentou um dia de forte tensão nesta quinta-feira (24), refletindo um cenário de aversão ao risco que dominou as bolsas ao redor do mundo. O dólar comercial encerrou o pregão em alta de 0,47%, cotado a R$ 5,193, aproximando-se da marca de R$ 5,20 e atingindo seu maior patamar desde o final de agosto. O movimento de valorização da moeda norte-americana foi acompanhado por uma queda expressiva na Bolsa de Valores brasileira.

Pressão externa e o impacto dos títulos americanos

A valorização do dólar foi impulsionada, em grande parte, pelo comportamento dos Treasuries, os títulos públicos dos Estados Unidos. O rendimento do papel de dez anos alcançou 5,2209%, patamar que não era registrado desde 2007. Quando as taxas de juros nos Estados Unidos sobem, investidores tendem a retirar capital de economias emergentes, como o Brasil, em busca da segurança oferecida pelo mercado norte-americano.

Esse movimento de fuga de capital pressiona o câmbio local e eleva a percepção de risco. O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis moedas globais, também operou em alta, confirmando que a força da moeda americana não foi um fenômeno isolado, mas uma tendência observada em diversos mercados internacionais.

Atuação do Banco Central e cenário doméstico

Para conter a volatilidade e garantir a liquidez no mercado de câmbio, o Banco Central interveio realizando a venda de US$ 1 bilhão por meio de dois leilões de linha simultâneos. Essa estratégia visa aumentar a oferta de dólares no mercado interno, tentando frear uma escalada mais acentuada da cotação.

Além da pressão cambial, o mercado digeriu novas projeções econômicas. O Banco Central revisou para baixo a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026, passando de 2% para 1,8%. Paralelamente, o governo federal ajustou suas metas fiscais, elevando a previsão de déficit efetivo para o ano para R$ 80,9 bilhões, o que adicionou cautela ao comportamento dos investidores locais.

Recuo do Ibovespa e incertezas no setor de energia

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou o dia com queda de 0,99%, fechando aos 183.965,91 pontos. A aversão ao risco, somada às incertezas fiscais e ao cenário externo, desestimulou a entrada de novos aportes em ativos de renda variável. O ambiente de incerteza política, com o acompanhamento de pesquisas eleitorais, também contribuiu para a cautela dos agentes financeiros.

Enquanto isso, o mercado de energia viveu um dia de forte volatilidade. O petróleo tipo Brent subiu 3,41%, cotado a US$ 106,60, impulsionado por tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã. A preocupação central gira em torno de possíveis bloqueios no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. A alta da commodity acende um alerta inflacionário, uma vez que o encarecimento dos combustíveis pode impactar diretamente as expectativas de juros e o custo de vida ao redor do globo.

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