Nova espécie de felino é descoberta em florestas da Bolívia por pesquisadores brasileiros

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Pesquisadores da PUCRS identificam nova espécie de felino na Bolívia. Descoberta revela cinco espécies de gatos-do-mato na América do Sul.
Nova espécie de felino é descoberta em florestas da Bolívia por pesquisadores brasileiros
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Uma descoberta científica de grande relevância para a conservação da biodiversidade sul-americana acaba de ser confirmada. Pesquisadores identificaram uma nova espécie de felino, batizada de Leopardus tilcayo, habitante das florestas montanhosas da região de Nor Yungas, na Bolívia. O achado, que marca a primeira descrição de um novo felino em mais de um século, é liderado pelo professor Eduardo Eizirik, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

A origem da descoberta e a análise genômica

A trajetória que levou à identificação do Leopardus tilcayo começou em 2016, quando um morador local encontrou um filhote na região boliviana. O animal foi encaminhado ao refúgio La Senda Verde, onde passou a ser monitorado. Inicialmente, acreditava-se que o exemplar pertencia à espécie Leopardus tigrinus, popularmente conhecido como “Tigrino”.

No entanto, a análise genômica detalhada, cujos resultados foram publicados no dia 17 de setembro na revista científica Current Biology, revelou uma realidade distinta. O felino pertence a uma linhagem evolutiva única, até então desconhecida pela ciência, o que reforça a complexidade da fauna neotropical.

Complexidade e diversidade dos gatos-do-mato

O estudo não se limitou apenas ao novo felino boliviano. A pesquisa, que envolveu uma rede internacional de cientistas do Brasil, Bolívia, Peru, Bélgica, Colômbia, Estados Unidos e Reino Unido, reclassificou o grupo dos gatos-do-mato. O que antes era considerado uma única espécie, agora é reconhecido como um conjunto de cinco espécies distintas.

Para chegar a essa conclusão, a equipe analisou genomas completos de 38 indivíduos de diversas partes da América do Sul. O trabalho incluiu o uso de técnicas de museômica, que permitiram o estudo de oito exemplares históricos preservados em museus da Europa e dos Estados Unidos, fundamentais para traçar o histórico evolutivo do grupo.

O desafio das espécies crípticas

Segundo o professor Eduardo Eizirik, a dificuldade em identificar essas espécies reside no fato de serem animais classificados como espécies crípticas. Esse termo técnico refere-se a seres vivos que possuem uma aparência visual extremamente semelhante, mas que carregam diferenças genéticas profundas e trajetórias evolutivas independentes.

“Essa semelhança visual fez com que diferentes espécies fossem, durante muito tempo, confundidas e classificadas como uma só”, explica o pesquisador. A descoberta sublinha que, mesmo entre animais carismáticos e de médio porte, a ciência ainda tem um vasto campo a explorar, sendo o conhecimento genético uma ferramenta vital para estratégias de preservação ambiental.

O Fato Paulista segue acompanhando os desdobramentos desta pesquisa e outros avanços científicos que impactam a compreensão da nossa biodiversidade. Continue conosco para se manter informado com notícias apuradas, contextuais e de relevância global.

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