Estudo da Unicamp usa resíduo de uva como fertilizante e amplia em 250% antioxidantes em flores

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Pesquisa da Unicamp transforma bagaço de uva em biofertilizante, aumentando em 250% o teor de antioxidantes em flores comestíveis.
Estudo da Unicamp usa resíduo de uva como fertilizante e amplia em 250% antioxidantes em flores
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Um resíduo comum na indústria vinícola, o bagaço de uva, está ganhando um novo propósito científico que promete transformar o cultivo de flores comestíveis. Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), desenvolveram um biofertilizante a partir desse subproduto, capaz de elevar significativamente a concentração de antioxidantes e nutrientes em plantas como a calêndula pôr do sol (Calendula officinalis L.).

O bagaço de uva, que representa entre 20% e 25% da massa total da fruta processada, é um desafio ambiental para o setor vitivinícola, gerando anualmente entre 9 e 13 milhões de toneladas de resíduos em todo o planeta. A nova estratégia busca converter esse passivo em um insumo de alto valor agregado, alinhando a produção agrícola aos princípios da economia circular.

Inovação sustentável no campo

O processo de transformação do resíduo em adubo ocorre por meio da digestão anaeróbia, onde microrganismos decompõem a matéria orgânica na ausência de oxigênio. O resultado é um digestato líquido rico em fibras, açúcares, compostos fenólicos e pigmentos naturais. Segundo Luiz Eduardo Nochi Castro, pesquisador da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA-Unicamp), a escolha pela calêndula ocorreu devido ao seu crescente valor comercial nas indústrias de alimentação e cosméticos, que buscam insumos naturais mais nutritivos.

Durante os experimentos realizados ao longo de 2023, a equipe testou diferentes dosagens do biofertilizante e regimes de irrigação em duas estações distintas. A professora Tânia Forster, orientadora do projeto, ressalta que o equilíbrio é fundamental: doses moderadas favoreceram o desenvolvimento das plantas, enquanto o excesso de fertilizante apresentou efeitos contrários. A pesquisa, que contou com apoio da FAPESP, teve seus resultados publicados na revista científica ACS Omega.

Impacto na qualidade nutricional

Os resultados laboratoriais surpreenderam pela eficácia. No cultivo de verão, a aplicação do biofertilizante elevou a concentração de betacaroteno — precursor da vitamina A — em mais de 250% em comparação ao método convencional. O composto atingiu a marca de 80,9 miligramas por 100 gramas de flor liofilizada. No inverno, o ganho foi observado na retenção de minerais e pigmentos, demonstrando que o insumo é versátil e eficiente sob diferentes condições climáticas.

Desafios para a escala comercial

Embora os dados agronômicos sejam promissores, a transição para o uso em larga escala ainda exige análises profundas de viabilidade econômica e logística. A equipe da Unicamp agora trabalha para entender como integrar a produção desse biofertilizante diretamente às vinícolas, reduzindo custos de transporte e otimizando o tratamento de resíduos na fonte. O objetivo final é criar uma cadeia produtiva onde o bagaço de uva não apenas fertilize o solo, mas também contribua para a geração de energia e novos ingredientes para a indústria.

O Fato Paulista segue acompanhando os avanços da ciência brasileira e as inovações que unem sustentabilidade e produtividade. Continue conosco para se manter informado sobre as pesquisas que estão transformando o agronegócio e a economia circular no Brasil.

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