Impacto das apostas online no SUS gera custo anual de R$ 30,6 bilhões

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Estudo aponta que apostas online custam R$ 30,6 bilhões ao SUS anualmente. Entenda o impacto na saúde mental e as medidas de controle do governo.
Impacto das apostas online no SUS gera custo anual de R$ 30,6 bilhões
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O avanço das apostas online no Brasil trouxe consequências que vão muito além das perdas financeiras individuais. Um estudo recente do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) aponta que o impacto anual aos cofres do Sistema Único de Saúde (SUS) chega a R$ 30,6 bilhões. Esse montante bilionário é reflexo direto dos custos com tratamentos de saúde mental, incluindo quadros de depressão e ansiedade, além das despesas relacionadas a tentativas de suicídio associadas ao vício em jogos.

A dimensão do problema é corroborada por dados da rede pública: nos últimos cinco anos, o Brasil registrou um salto de 140% na busca por atendimento especializado no SUS devido à dependência de apostas e jogos de azar. O cenário pressiona a Rede de Atenção Psicossocial, que tem buscado adaptar suas estratégias para acolher uma demanda crescente e complexa.

Ampliação do atendimento e estratégias de contenção

Diante da alta procura, o Ministério da Saúde intensificou suas ações de resposta. O diretor de Saúde Mental da pasta, Marcelo Kimati, destaca que o governo federal lançou um serviço de teleatendimento específico para pessoas com problemas relacionados a apostas. A capacidade desse sistema foi ampliada recentemente, passando de 600 para 100 mil atendimentos mensais, em uma parceria estratégica com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).

A estratégia de contenção também passa pela tecnologia. O Ministério da Fazenda implementou uma plataforma de autoexclusão, que já resultou no bloqueio de mais de 5 milhões de CPF’s em sites de apostas autorizados. Entre os usuários que solicitaram o bloqueio, cerca de um milhão de pessoas citaram problemas de saúde mental como o principal motivo para a interrupção das atividades.

Relatos de superação e a luta contra a compulsão

Para muitos brasileiros, o caminho de volta exige ferramentas de controle rígidas. Gustavo Pereira, vendedor de 24 anos, é um dos exemplos de quem encontrou na autoexclusão uma forma de retomar a vida. Morador de Lages, em Santa Catarina, ele viu o vício consumir cerca de meio milhão de reais ao longo de seis anos. Hoje, ele utiliza sua história para alertar sobre os riscos e reforça que a recuperação é um processo diário que exige acompanhamento constante.

A percepção de que o jogo compulsivo é uma doença, e não apenas uma falha de caráter, é o primeiro passo para o tratamento. Carla Xavier, de 41 anos, que superou a dependência após buscar auxílio em grupos como a irmandade Jogadores Anônimos, enfatiza que o suporte familiar é um pilar indispensável. Ela relata que, no auge da compulsão, o desejo de jogar sobrepunha-se a qualquer outra necessidade básica, incluindo o trabalho e o sono.

O papel da rede de apoio familiar

O impacto do vício não se restringe ao jogador, afetando todo o núcleo familiar. Para lidar com a codependência, existem grupos como o JOG-Anon, que oferece suporte a parentes e amigos de jogadores compulsivos. O entendimento de que a família também precisa de acolhimento é fundamental para que o tratamento do dependente seja mais efetivo.

Apesar da gravidade dos números, o debate sobre a responsabilidade das operadoras de apostas continua em pauta. Atualmente, apenas 1% do valor arrecadado pelas empresas do setor é destinado ao Ministério da Saúde para mitigar os danos causados à população. O desafio para os próximos anos será equilibrar a regulação do mercado com a necessidade urgente de investimentos em prevenção e cuidado.

O Fato Paulista segue acompanhando os desdobramentos sobre o impacto das apostas na saúde pública brasileira. Continue conosco para se manter informado sobre as políticas de saúde, economia e os temas que impactam o seu cotidiano com a profundidade e a credibilidade que você merece.

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