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A psiquiatra Bruna Laursen, que atua no Hospital Geral de Taipas, na zona norte da capital paulista, aponta que o cenário atual é complexo. O período pós-pandemia deixou marcas profundas, potencializadas pelo uso excessivo de telas e redes sociais, que frequentemente expõem jovens a situações de cyberbullying e comparações sociais prejudiciais.
Além disso, a especialista destaca que o diagnóstico precoce de transtornos do neurodesenvolvimento, especialmente na faixa etária de 5 a 9 anos, somado às pressões do ambiente escolar e às mudanças na dinâmica familiar, cria um ambiente de vulnerabilidade. Identificar esses sinais precocemente é a estratégia mais eficaz para evitar que quadros leves se tornem problemas de saúde mental mais graves e persistentes.
Nem toda oscilação de humor ou mudança de comportamento indica um transtorno mental, mas a atenção deve ser redobrada quando essas alterações se tornam constantes ou intensas. A psiquiatra orienta que os responsáveis fiquem atentos a sinais claros de desequilíbrio emocional.
Entre os principais pontos de atenção estão o isolamento social, mudanças significativas nos padrões de sono ou alimentação e uma queda acentuada no desempenho escolar. A irritabilidade intensa e, principalmente, qualquer fala que demonstre falta de perspectiva ou menções à morte são indicadores que exigem uma busca imediata por auxílio especializado.
Para casos de maior gravidade, o Hospital Geral de Taipas mantém uma ala de psiquiatria infantojuvenil equipada com 16 leitos. O serviço, acessado via Central de Regulação Estadual, foca em internações de curta permanência, voltadas para garantir a segurança do paciente em momentos de crise aguda.
A internação, contudo, é apenas uma etapa do tratamento. A continuidade do cuidado, envolvendo a família e a rede de atenção básica, é fundamental para a recuperação. O SUS oferece a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), onde os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e as unidades de atenção básica atuam como portas de entrada para o acolhimento contínuo.
Em situações de risco imediato à vida ou tentativas de suicídio, o acionamento do SAMU pelo número 192 é a medida prioritária, garantindo atendimento pré-hospitalar especializado 24 horas por dia. Para suporte emocional, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento sigiloso e gratuito pelo telefone 188.
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