Viva Maria: quatro décadas e meia de luta pelos direitos das mulheres no rádio brasileiro

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Com 45 anos de história, o programa Viva Maria, da Rádio Nacional, é um marco na defesa dos direitos das mulheres e da cidadania no Brasil.
Viva Maria: quatro décadas e meia de luta pelos direitos das mulheres no rádio brasileiro
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Em 14 de setembro de 1981, a jornalista Mara Régia di Perna vivia um momento de profunda transformação profissional e pessoal. Aos 30 anos, ela assumia o microfone da Rádio Nacional para estrear o Viva Maria, um programa que, ao longo das quatro décadas e meia seguintes, consolidou-se como um pilar fundamental na defesa dos direitos sociais e da cidadania feminina no Brasil. O que começou como uma aposta ousada tornou-se uma referência internacional em comunicação voltada para gênero e direitos humanos.

Ao longo de 45 anos de transmissão ininterrupta, o programa registrou a marca de 8,2 mil edições veiculadas pelas emissoras da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Mais do que um espaço de entretenimento, o Viva Maria funcionou como uma rede de apoio e mobilização, conectando mulheres de diferentes realidades — das grandes metrópoles aos rincões mais isolados do país — em torno de pautas comuns, como saúde, educação e, crucialmente, o enfrentamento à violência doméstica.

A trajetória de um marco na comunicação social

A gênese do programa está intrinsecamente ligada ao cenário de redemocratização do Brasil. Mara Régia recorda que a criação do Viva Maria coincidiu com um período decisivo para a cidadania, culminando na promulgação da Constituição de 1988. A jornalista teve papel ativo na articulação da Carta das Mulheres aos Constituintes, documento entregue em 27 de março de 1987, que consolidou reivindicações históricas dos movimentos feministas brasileiros.

A relevância do projeto ultrapassou as ondas do rádio e despertou o interesse acadêmico, sendo objeto de pelo menos 30 estudos de pós-graduação. A força do programa, segundo sua idealizadora, sempre residiu na escuta ativa. O Viva Maria não apenas falava para as mulheres, mas permitia que elas ocupassem o centro do debate, enviando suas demandas por cartas, telefonemas e, posteriormente, meios digitais.

Combate à violência e conquistas históricas

A dedicação de Mara Régia ao tema da violência contra a mulher não é apenas profissional; é visceral. Inspirada pela história de sua mãe, Yolanda, vítima de violência doméstica, a jornalista transformou sua dor em uma ferramenta de mudança social. Esse engajamento foi determinante para a implementação da primeira delegacia especializada de atendimento à mulher em Brasília, em 1986.

O ativismo através do rádio trouxe desafios significativos. A postura firme da jornalista diante de denúncias de abusos rendeu ameaças, obrigando-a a buscar proteção policial e a afastar temporariamente seus filhos da capital federal. Apesar das adversidades, Mara manteve a constância, guiada pela convicção de que o rádio deveria ser um instrumento de transformação real na vida das ouvintes.

Impacto direto na vida das “Marias”

O programa construiu uma rede de solidariedade que atravessa o território nacional. Um dos exemplos mais emblemáticos ocorreu no Amapá, onde o Viva Maria mobilizou campanhas de apoio a vítimas de escalpelamento. A professora Rosinete Serrão, uma das ouvintes que se tornou agente multiplicadora do programa, relata como o suporte recebido foi essencial para sua superação pessoal, levando-a a concluir sua formação acadêmica em pedagogia.

Da mesma forma, na Região Norte, o rádio serviu como elo vital para parteiras e trabalhadoras rurais, como Maria Zenaide Carvalho e Kennya Silva. Para estas mulheres, o Viva Maria representou muito mais do que informação; foi o incentivo necessário para a retomada dos estudos e o reconhecimento de suas vozes na esfera pública. Com mais de 30 prêmios nacionais e internacionais, o programa segue reafirmando sua missão de ser a voz de quem busca dignidade e direitos.

Para acompanhar mais detalhes sobre a história do Viva Maria e o impacto contínuo deste projeto na sociedade brasileira, continue navegando pelo Fato Paulista. Nosso compromisso é levar até você informações relevantes, contextualizadas e que fazem a diferença no cotidiano do país. Clique aqui para acessar o site oficial do programa e conhecer mais sobre essa trajetória de sucesso.

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