Cúpula do Brics em Nova Delhi sinaliza preocupação com tensões globais e defende reforma da ONU

PUBLICIDADE
Cúpula do Brics em Nova Delhi discute tensões no Oriente Médio, reforma da ONU e críticas a tarifas unilaterais no comércio global.
Cúpula do Brics em Nova Delhi sinaliza preocupação com tensões globais e defende reforma da ONU
PUBLICIDADE

Diplomacia em foco: o posicionamento do Brics frente aos conflitos

Líderes das nações que compõem o Brics reuniram-se neste fim de semana em Nova Delhi, na Índia, para uma cúpula marcada pela busca de consenso em um cenário internacional de alta complexidade. O grupo, que atualmente integra 11 países — incluindo Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã —, utilizou a declaração final do encontro, intitulada “Construindo para a Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade”, para pontuar preocupações estratégicas.

O documento, divulgado no sábado (12), destaca a apreensão dos membros com a escalada das tensões no Oriente Médio. O conflito, que ganhou contornos críticos em fevereiro de 2026 após ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, foi abordado de forma cautelosa. Sem citar nomes específicos ou utilizar o termo “guerra”, o parágrafo 28 do texto oficial clama pela “máxima contenção” e pela abstenção de ações que possam agravar a instabilidade regional, uma estratégia diplomática comum para garantir a adesão de todos os membros a um documento conjunto.

A busca por protagonismo no Conselho de Segurança da ONU

Um dos pontos de maior relevância para a política externa brasileira foi o reforço do apoio à reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). O Brics defende que o órgão se torne mais democrático e representativo, ampliando a voz das nações em desenvolvimento. Atualmente, o conselho é composto por 15 membros, sendo apenas cinco permanentes e com poder de veto.

No texto, China e Rússia reiteraram o suporte às aspirações do Brasil e da Índia de desempenharem papéis de maior relevância no cenário global, incluindo o Conselho de Segurança. Embora a declaração não explicite a entrada definitiva do Brasil como membro permanente, o endosso das potências aliadas é visto como um passo diplomático importante para as pretensões brasileiras de longo prazo.

Comércio internacional e o desafio das tarifas unilaterais

A economia também ocupou lugar central nas discussões de Nova Delhi. Os países membros manifestaram sérias preocupações com a proliferação de medidas tarifárias unilaterais que, segundo o bloco, distorcem o fluxo comercial e ferem as diretrizes da Organização Mundial do Comércio (OMC). Embora o nome do presidente americano, Donald Trump, não tenha sido citado, o recado é interpretado como uma crítica direta à política de tarifas imposta pelos Estados Unidos desde 2025, que tem impactado diretamente economias como a chinesa, a indiana e a brasileira.

Em paralelo, o grupo reafirmou o compromisso com a criação de mecanismos eficientes para pagamentos transfronteiriços utilizando moedas locais. Contudo, o documento não trouxe avanços sobre a criação de uma moeda única para o bloco ou a substituição do dólar, mantendo o foco em soluções práticas e pragmáticas para o comércio entre os países membros.

Combate à desigualdade como pilar de desenvolvimento

Além das questões geopolíticas e comerciais, o Brics reafirmou que a erradicação da pobreza extrema permanece como o maior desafio global e um requisito indispensável para o desenvolvimento sustentável. O bloco registrou formalmente a proposta apresentada pelo Brasil e pela África do Sul para a criação de um painel internacional voltado ao debate e ao combate à desigualdade.

Com os 11 países representando cerca de 39% da economia mundial e quase metade da população global, as decisões tomadas em Nova Delhi ecoam além das fronteiras do grupo. O Fato Paulista segue acompanhando os desdobramentos desta cúpula e os impactos das decisões do Brics na economia e na geopolítica global. Continue conosco para se manter informado sobre os temas que moldam o futuro das relações internacionais.

PUBLICIDADE

Deixe um Comentário