PF aponta pagamentos de R$ 500 mil de ex-banqueiro a ex-chefe de supervisão do BC

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PF aponta que ex-chefe do BC recebeu R$ 500 mil mensais de ex-banqueiro Daniel Vorcaro em troca de informações sigilosas sobre o Banco Master.
PF aponta pagamentos de R$ 500 mil de ex-banqueiro a ex-chefe de supervisão do BC
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Um relatório detalhado da Polícia Federal (PF), encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), trouxe à tona um esquema de corrupção que teria envolvido o alto escalão da supervisão do Banco Central (BC). Segundo as investigações, Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão da instituição, teria recebido pagamentos mensais de R$ 500 mil em troca de informações sigilosas repassadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do antigo Banco Master.

O documento, que possui 164 páginas, teve parte de seu sigilo levantada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF. As revelações expõem uma rede de influência que teria comprometido a integridade das fiscalizações bancárias, permitindo que Vorcaro obtivesse vantagens indevidas enquanto o Banco Master era alvo de monitoramento por irregularidades financeiras bilionárias.

Detalhes da investigação e o caso Banco Master

A apuração da Polícia Federal indica que a relação entre os servidores e o ex-banqueiro ia muito além de contatos profissionais. Mensagens interceptadas pelos investigadores apontam que, além dos repasses financeiros vultosos — um dos quais teria atingido o valor de R$ 760 mil —, os envolvidos desfrutavam de regalias custeadas pelo empresário. Entre os mimos listados no relatório, constam viagens internacionais, incluindo roteiros de luxo em Paris e passagens para a Disney, nos Estados Unidos.

As investigações ganharam corpo com a deflagração da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras de grande escala ligadas ao Banco Master, instituição que acabou sendo liquidada pelo Banco Central em novembro do ano passado. A PF sustenta que Santana e o gerente adjunto do departamento, Paulo Sérgio Neves de Souza, atuavam como consultores informais de Vorcaro, revisando documentos e alinhando estratégias de defesa contra as ações fiscalizatórias do próprio BC.

Vazamento de dados e conduta dos servidores

O conteúdo das mensagens trocadas entre os envolvidos revela o nível de intimidade e a quebra de dever funcional. Em um dos trechos, Paulo Sérgio Souza chega a compartilhar com Vorcaro sua portaria de nomeação para o cargo no Departamento de Supervisão, tratando o atendimento aos interesses do ex-banqueiro como uma “prioridade absoluta”. Além das transferências financeiras, a PF aponta a aquisição atípica de um imóvel rural pertencente ao servidor como indício de lavagem de dinheiro ou pagamento de propina.

Apesar das evidências documentais apresentadas pela Polícia Federal, os servidores afastados negam as acusações. Belline Santana e Paulo Sérgio Souza sustentam que não houve vazamento de informações privilegiadas e alegam possuir meios de comprovar que as despesas com viagens e lazer foram custeadas com recursos próprios. A defesa de ambos deve apresentar novos esclarecimentos à medida que o processo avance no Supremo Tribunal Federal.

O caso, que se tornou um dos episódios mais graves de suspeita de corrupção dentro do órgão regulador brasileiro, segue sob análise da Corte. O Fato Paulista continua acompanhando os desdobramentos desta investigação e trará atualizações assim que novos detalhes sobre o processo forem revelados pelas autoridades competentes. Mantenha-se informado sobre os principais fatos que impactam o Brasil assinando nossa newsletter e acompanhando nossa cobertura diária.

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