Jornalismo brasileiro em luto: a memória de dois grandes nomes
O Jornal Hoje, um dos pilares do telejornalismo da Rede Globo, consolidou-se ao longo das décadas como um espaço de formação e referência para o público brasileiro. Por trás da credibilidade das notícias apresentadas diariamente, passaram nomes que se tornaram figuras familiares nos lares do país. No entanto, a história do programa também guarda capítulos marcados por perdas significativas, envolvendo profissionais que, apesar do sucesso, enfrentaram desafios severos de saúde que interromperam suas trajetórias.
A memória desses jornalistas permanece viva não apenas nos arquivos da emissora, mas na lembrança de quem acompanhou a evolução da televisão no Brasil. As trajetórias de Berto Filho e Márcia Mendes ilustram como a vida pública e a privada se cruzam, deixando um legado de profissionalismo que atravessa gerações, mesmo diante de desfechos precoces e dolorosos.
Berto Filho: uma voz marcante no telejornalismo
Reconhecido por sua voz inconfundível e postura sóbria, Berto Filho foi uma das figuras centrais do jornalismo da Globo entre as décadas de 1970 e 1980. Segundo registros do Memória Globo, ele foi um dos pioneiros do Jornal Hoje, participando ativamente da construção da identidade do noticiário desde seus primeiros anos de exibição.
Sua versatilidade permitiu que ele ocupasse a bancada de programas emblemáticos, como o Jornal Nacional, o RJTV e o Fantástico. Contudo, o brilho das câmeras deu lugar a uma batalha silenciosa e difícil nos anos finais de sua vida. Em 2014, o jornalista recebeu o diagnóstico de um câncer na garganta, que posteriormente apresentou metástase cerebral.
O falecimento de Berto Filho ocorreu em 12 de março de 2016, aos 75 anos. Seu filho, Henry Lelot, relatou na época que o pai partiu de forma serena, enquanto dormia, em um momento de descanso definitivo. A notícia gerou uma onda de comoção entre colegas de profissão e espectadores que cresceram ouvindo sua locução.
Márcia Mendes e a interrupção de uma carreira promissora
Se Berto Filho construiu uma carreira longeva, a trajetória de Márcia Mendes foi marcada pela brevidade e por uma luta intensa contra condições clínicas complexas. Integrante da equipe do Jornal Hoje e também com passagens pelo Fantástico e pelo Jornal Nacional, ela se destacou por uma comunicação leve e próxima, que ajudou a modernizar a linguagem dos telejornais da época.
A partir de 1978, a saúde da jornalista começou a declinar drasticamente. Ela sofreu uma embolia cerebral que comprometeu movimentos e a fala, além de enfrentar uma infecção nas válvulas cardíacas que exigiu intervenções cirúrgicas sucessivas. Embora tenha demonstrado resiliência ao retornar às suas atividades profissionais, o quadro clínico se agravou no ano seguinte.
Em 1979, após um período de internação e estado de coma, Márcia Mendes faleceu em 6 de julho, aos 34 anos, vítima de uma parada cardíaca. Sua morte precoce chocou o país, encerrando prematuramente uma carreira que prometia ainda muitas contribuições ao jornalismo televisivo.
O impacto duradouro na memória da televisão
A trajetória desses dois jornalistas serve como um lembrete da fragilidade humana por trás das figuras públicas. O Jornal Hoje, que estreou em 21 de abril de 1971, carrega em sua história a marca deixada por esses profissionais. Enquanto Berto Filho é lembrado pela solidez de sua carreira, Márcia Mendes permanece como um símbolo de uma geração que buscou novos caminhos na comunicação.
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