O Dia da Amazônia, celebrado neste sábado (5), ganha um contorno estratégico em 2026. A data marca o início da contagem regressiva de 30 dias para as eleições gerais, agendadas para 4 de outubro. Em meio ao calendário eleitoral, o movimento Amazônia de Pé intensifica sua atuação com a quinta edição da Virada Cultural, que traz como mote central a urgência de que o voto seja um instrumento de proteção ambiental.
Com o tema “Cada voto pela Amazônia conta”, a iniciativa busca pressionar candidatos e conscientizar o eleitorado sobre a importância de eleger representantes comprometidos com a conservação do bioma. A mobilização, que ocorre simultaneamente nas cinco regiões do país, inclui uma série de festivais gastronômicos, musicais e debates públicos, transformando a pauta ambiental em um debate central no processo democrático.
Mobilização nacional e a simbologia da floresta
O movimento, que reúne mais de 20 mil ativistas e cerca de 300 organizações não governamentais, busca levar a discussão para além dos círculos especializados. Um dos momentos mais emblemáticos ocorreu na última quinta-feira (3), no Território Indígena Borari, em Alter do Chão, no Pará. Uma cobra cenográfica de 30 metros de extensão foi instalada no local, servindo como um lembrete visual da fragilidade da maior floresta tropical do mundo.
A alegoria, que já havia sido exibida em Belém durante a COP30, em novembro de 2025, simboliza a resistência e a necessidade de políticas públicas eficazes. Catarina Nefertari, codiretora executiva da Amazônia de Pé, destaca que a campanha é um chamado para que a sociedade civil ocupe o espaço político. “É importante que a gente esteja nas ruas sendo visto por quem está fazendo campanha, deixando claro que os planos de governo muitas vezes esquecem os sonhos de quem vive no território”, afirma.
Desafios territoriais e o futuro do bioma
A preocupação central do movimento recai sobre as Florestas Públicas Não Destinadas (FPNDs). Segundo Karina Penha, codiretora do coletivo, essas áreas permanecem em um limbo administrativo, sem uma definição clara de uso ou gestão estatal. A ausência de destinação oficial para conservação ou reconhecimento territorial torna essas regiões vulneráveis a grilagem e crimes ambientais, exigindo uma postura firme dos futuros eleitos.
O cenário, contudo, apresenta sinais de mudança. Dados recentes do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Inpe, indicam que o desmatamento na Amazônia registrou queda de 36,87% entre agosto de 2025 e julho de 2026. Com 2.874,38 km² sob alerta, o índice é o menor desde o início da série histórica em 2016. Paralelamente, o Imazon aponta que 60% das terras indígenas na região alcançaram a marca de desmatamento zero no mesmo período.
O papel do voto nas urnas de outubro
O pleito de 4 de outubro definirá os rumos do país para os próximos anos, com a escolha de deputados, governadores, senadores e presidente. A coincidência entre o Dia da Amazônia e o período final de campanha é vista pelos ativistas como uma oportunidade única para pautar a agenda climática. O movimento defende que a proteção do bioma, que ocupa 49,5% do território nacional, deve ser um critério decisivo na escolha dos candidatos.
A Virada Cultural Amazônia de Pé segue com atividades espalhadas pelo Brasil, reforçando a ideia de que a preservação ambiental é uma responsabilidade coletiva. O Fato Paulista continua acompanhando o desenrolar das campanhas eleitorais e os desdobramentos das políticas ambientais, trazendo sempre uma análise aprofundada e contextualizada dos temas que impactam o futuro do país. Siga conosco para se manter informado com credibilidade e rigor jornalístico.




