Último El Niño deixou 38% das regiões habitadas da Amazônia em situação de seca extrema

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Estudo aponta que 38% das áreas habitadas na Amazônia sofreram com a seca extrema durante o último El Niño, afetando o cotidiano de milhares.
Último El Niño deixou 38% das regiões habitadas da Amazônia em situação de seca extrema
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A recente crise climática que atingiu a região amazônica revelou a vulnerabilidade das populações locais diante de eventos extremos. Um estudo detalhado, divulgado pelo MapBiomas, aponta que 38% das ocupações humanas na Amazônia foram severamente afetadas pelo El Niño de 2024. O levantamento indica que, das 5.673 localidades habitadas mapeadas na região, 2.172 sofreram impactos diretos e intensos do fenômeno meteorológico.

O avanço da seca e a redução dos recursos hídricos

O El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Tropical, altera drasticamente a circulação atmosférica e desregula o regime de chuvas. No caso da Amazônia, o fenômeno atua como um catalisador para secas prolongadas e elevações acentuadas na temperatura. Entre setembro e novembro de 2024, a superfície de água na região registrou uma queda de 1,9 milhão de hectares em comparação à média histórica observada entre 1985 e 2025.

Além da escassez hídrica, o volume de precipitação ficou 27% abaixo da média esperada para o período. A temperatura máxima média também apresentou um comportamento alarmante, situando-se 2,6ºC acima dos padrões históricos. Segundo Bruno Ferreira, pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e integrante da equipe do MapBiomas, a combinação de menos chuva e calor excessivo eleva a demanda evaporativa, resultando em estresse hídrico severo para a vegetação e o solo.

Impactos diretos nas comunidades e no cotidiano

A pesquisa detalha como diferentes formas de ocupação — incluindo territórios indígenas, comunidades quilombolas, assentamentos rurais e núcleos urbanos — foram atingidas. A proximidade com os corpos d’água tornou-se um fator crítico de vulnerabilidade: 93% das localidades analisadas, totalizando 5.273 pontos, estão situadas a uma distância de até 5 quilômetros de áreas que sofreram redução drástica da superfície de água.

Essa retração dos níveis dos rios compromete diretamente a logística e a subsistência das populações locais. O transporte fluvial, essencial para o escoamento de produtos e o deslocamento de pessoas, torna-se precário, enquanto a pesca e o acesso à água potável enfrentam restrições severas. A situação é agravada pela perda histórica de cobertura vegetal, que ao longo das últimas quatro décadas viu 3,9 milhões de hectares de vegetação nativa desaparecerem, reduzindo a resiliência natural do bioma.

Metodologia e contexto do monitoramento

Para chegar a esses resultados, os pesquisadores cruzaram dados da Coleção 11 do MapBiomas sobre Cobertura e Uso da Terra com a Coleção 5 sobre Água e a coleção beta sobre Atmosfera. O trabalho também integrou informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre áreas habitadas e dados do Painel El Niño, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A correlação entre a perda de vegetação e a exposição a eventos climáticos reforça a necessidade de políticas públicas voltadas para a preservação ambiental como estratégia de adaptação social.

O Fato Paulista segue acompanhando os desdobramentos dos eventos climáticos no Brasil e seus efeitos diretos na vida dos brasileiros. Continue conosco para se manter informado com reportagens apuradas, dados oficiais e análises contextualizadas sobre os temas que impactam o país e o meio ambiente.

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