Em um pregão marcado por forte euforia, o Ibovespa, principal índice da B3, registrou uma valorização expressiva de 3,05% nesta quarta-feira (2), encerrando o dia aos 185.205,09 pontos. O movimento consolida uma sequência de 11 altas consecutivas, levando o indicador ao seu maior nível desde 6 de maio. O otimismo dos investidores foi impulsionado por uma combinação de fatores, incluindo o cenário eleitoral brasileiro e o retorno do fluxo de capital estrangeiro para a bolsa nacional.
Otimismo e fluxo estrangeiro na bolsa
A trajetória de alta do Ibovespa reflete uma mudança de humor no mercado financeiro. Após um período de instabilidade e saída de recursos nas primeiras semanas de agosto, o fluxo de investidores estrangeiros voltou a ser positivo nos últimos dias do mês passado. Esse movimento de recompra de ativos brasileiros tem sido o principal motor para a recuperação do índice, que chegou a atingir a máxima de 186.028,06 pontos durante a sessão.
Analistas apontam que a confiança do mercado está atrelada às expectativas em torno do cenário eleitoral e à resiliência de setores estratégicos da economia. A valorização desta quarta-feira representa o maior ganho percentual em um único dia desde março, sinalizando um apetite renovado pelo risco e uma aposta na estabilidade macroeconômica do país para os próximos meses.
Recuo do dólar frente ao real
Seguindo a tendência de otimismo, o dólar comercial registrou sua terceira queda consecutiva, fechando cotado a R$ 5,106, uma retração de 0,91%. Este é o menor valor de encerramento para a moeda americana desde 7 de agosto. O comportamento do câmbio foi influenciado diretamente pela divulgação de pesquisas eleitorais, que trouxeram maior clareza aos investidores e reduziram a pressão sobre a moeda local.
Embora tenha iniciado o dia com uma leve alta, atingindo R$ 5,1702, a divisa perdeu força rapidamente ao longo da tarde. Com esse resultado, o dólar acumula uma desvalorização de 1,72% em apenas três sessões e uma queda expressiva de 6,97% no acumulado de 2026. O cenário externo também colaborou, com o índice que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de divisas globais operando em queda.
Tensão geopolítica e alta do petróleo
Enquanto o mercado brasileiro celebrava a alta das ações, o cenário internacional voltava as atenções para a escalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irã. O conflito, que ameaça o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz — uma das rotas mais vitais para o transporte global de energia —, impulsionou os preços da commodity. O petróleo tipo Brent, referência para a Petrobras, fechou em alta de 1,04%, cotado a US$ 95,63 por barril.
Além da instabilidade geopolítica, a valorização do petróleo foi sustentada pela divulgação de dados oficiais que mostraram uma queda inesperada nos estoques americanos. A expectativa agora se volta para a reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), marcada para o próximo domingo (6), onde a manutenção da política de produção deve ser o tema central para evitar novas volatilidades nos preços.
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