Depressão materna persistente impacta desenvolvimento cognitivo de adolescentes

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Estudo da USP aponta que depressão materna persistente pode prejudicar memória e atenção de adolescentes devido a práticas parentais mais rígidas.
Depressão materna persistente impacta desenvolvimento cognitivo de adolescentes
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A saúde mental das mães desempenha um papel fundamental no desenvolvimento cognitivo dos filhos, indo muito além do suporte emocional imediato. Um estudo conduzido pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) revelou que a depressão persistente durante a infância da criança pode comprometer funções cerebrais essenciais na adolescência, como a memória e a capacidade de manter o foco.

O impacto das práticas parentais no desenvolvimento

A pesquisa, que acompanhou o desenvolvimento de jovens nascidos em Pelotas, no Rio Grande do Sul, aponta uma correlação direta entre o estado emocional materno e o estilo de criação adotado. Mães que enfrentam quadros depressivos contínuos tendem a apresentar maior dificuldade em lidar com o estresse cotidiano, o que frequentemente resulta em práticas parentais mais rígidas ou agressivas.

Essas atitudes, que incluem controle excessivo, punições físicas ou verbais e uma barreira na comunicação, criam um ambiente doméstico estressante. Segundo os pesquisadores, esse cenário prejudica o treino natural de autocontrole e atenção que a criança recebe durante seu crescimento, refletindo-se em dificuldades cognitivas observadas anos mais tarde.

Prejuízos na memória e na atenção

A análise dos dados, que monitorou 1.949 crianças desde os três meses de vida até os 15 anos de idade, demonstrou que os adolescentes cujas mães apresentaram sintomas depressivos graves tiveram desempenho inferior em testes de atenção sustentada e memória episódica. Essas habilidades são cruciais para o gerenciamento de tarefas complexas e para a retenção de informações no dia a dia.

O estudo destaca que até mesmo sintomas moderados ou temporários de depressão materna geram impactos perceptíveis. Isso reforça a necessidade de um acompanhamento contínuo do bem-estar das mães, desmistificando a ideia de que o suporte deve se restringir apenas ao período do pós-parto.

Intervenções no sistema público de saúde

Para a professora Alicia Matijasevich, orientadora do estudo, os resultados evidenciam que o cuidado com a saúde mental materna é uma questão de saúde pública com reflexos sociais profundos. Dificuldades cognitivas na adolescência podem, a longo prazo, limitar o desempenho escolar e as futuras oportunidades de inserção no mercado de trabalho desses jovens.

A recomendação dos especialistas é que o Sistema Único de Saúde (SUS) amplie suas estratégias de atenção primária. A integração de programas de apoio à parentalidade com o tratamento da depressão, por meio de visitas domiciliares e acompanhamento longitudinal, surge como uma alternativa eficaz para mitigar esses efeitos negativos. O foco deve ser identificar precocemente não apenas a depressão, mas também as dinâmicas de interação entre pais e filhos, garantindo um ambiente mais saudável para o desenvolvimento das próximas gerações.

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