O Museu do Pontal, referência nacional na preservação da arte popular brasileira, vive um momento de celebração dupla neste fim de semana. A instituição comemora cinco décadas de existência, marcadas por uma trajetória de resgate da identidade cultural do país, e celebra cinco anos de operação em sua atual sede, localizada na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A mudança, ocorrida após anos de atividades no Recreio dos Bandeirantes, consolidou o espaço como um dos principais polos culturais da capital fluminense.
Trajetória de impacto e engajamento cultural
Desde a inauguração do novo prédio, o Museu do Pontal expandiu significativamente seu alcance. Dados da instituição apontam que, nos últimos cinco anos, o local recebeu mais de 400 mil visitantes e promoveu cerca de 1 mil espetáculos e oficinas. O sucesso da programação, que busca integrar a comunidade ao acervo, também se reflete nos 17 festivais realizados no período, atraindo um público total de 80 mil pessoas.
O diretor executivo do museu, Lucas Van de Beuque, destaca a importância da conexão geracional estabelecida pelo espaço. Segundo ele, a instituição tornou-se um ponto de encontro para famílias, incluindo o projeto de roda de bebês, que já atendeu mais de 1 mil crianças desde o início de suas atividades. Essa abordagem humanizada reafirma o papel do museu como um espaço de convivência, ou o que a gestão define como “museu-praça”.
Exposição panorâmica de Véio
Como parte central das comemorações, o museu inaugura a exposição Véio – A Escuta do Sertão, a maior mostra já dedicada ao artista plástico sergipano Cícero Alves dos Santos, conhecido como Véio. A exposição reúne cerca de 300 obras produzidas ao longo de seis décadas, oferecendo ao público um mergulho profundo na trajetória do escultor, desde suas peças figurativas iniciais até as criações contemporâneas que utilizam troncos e raízes.
A relação entre o artista e o museu é histórica, remontando à década de 1970, quando o fundador do espaço, o francês Jacques Van de Beuque, começou a adquirir as primeiras peças de Véio. Para o escultor, a exposição no Rio de Janeiro representa uma oportunidade de levar a realidade do sertão para um público diverso. “Meu interesse era que o pessoal carioca conhecesse o trabalho de um sertanejo que sai da roça e cria peças que ninguém nunca viu”, afirmou o artista em entrevista à Agência Brasil.
Festival dos Festivais e programação gratuita
Para marcar o jubileu de ouro, o museu preparou o chamado “Festival dos Festivais”, com mais de 20 atrações gratuitas. A programação inclui shows de nomes como Lia de Itamaracá, Siba, Mestre Solano & Noites do Norte, Zé Bezerra & Trio Pernambucano, Trio Forrozão, Edmilson dos Teclados e Aturiá. Além da música, o evento contará com manifestações tradicionais como bumba meu boi, bate-bola e espetáculos circenses.
A curadora do museu, Angela Mascelani, ressalta que a obra de Véio transcende o registro literal do cotidiano sertanejo, revelando camadas mais profundas de memória e natureza. A mostra, que abre ao público neste sábado (29), às 15h30, é organizada em cinco núcleos temáticos. O Museu do Pontal funciona de quinta a domingo, das 10h às 18h, com encerramento do acesso às exposições às 17h30.
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