O Brasil avança em negociações estratégicas para estabelecer um acordo oficial de coprodução cinematográfica com a Rússia. A iniciativa, conduzida pela RioFilme, visa permitir que políticas públicas de ambos os países sejam aplicadas de forma integrada em projetos culturais, fomentando o intercâmbio de produções e a circulação de propriedade intelectual. Segundo Leonardo Edde, presidente da estatal carioca, a expectativa é que o entendimento se converta em realidade concreta no médio prazo.
Edde encontra-se atualmente na Rússia, onde participa do Festival Internacional de Cinema de Moscou, evento que segue até o dia 31 de agosto. A presença do executivo no país reforça uma agenda de internacionalização do audiovisual brasileiro, que busca não apenas exportar conteúdo, mas atrair investimentos e tecnologia para o Rio de Janeiro.
Estruturação de negócios e intercâmbio cultural
Para que o acordo de coprodução ganhe viabilidade operacional, a RioFilme enfatiza a necessidade de um planejamento prévio rigoroso. O foco está na identificação de conteúdos com alto potencial de aceitação em ambos os mercados, analisando as interseções entre o público brasileiro e o russo. O objetivo é que a parceria contemple diversas janelas de exibição, abrangendo desde o cinema tradicional até as plataformas de streaming e a televisão.
O trabalho de base envolve entender como as narrativas locais podem dialogar com culturas distintas, otimizando o uso de recursos públicos e privados. Conforme destaca o presidente da RioFilme, a preparação é fundamental para que o ambiente de negócios esteja pronto para absorver as produções assim que o tratado for formalizado.
Fortalecimento do bloco e o conceito de soft power
A estratégia de expansão da RioFilme não se limita à Rússia. A empresa já realizou articulações na China e na Índia, buscando consolidar um mercado comum entre os países integrantes do Brics. A visão é de que o bloco, criado em 2006, possui uma dimensão gigantesca que ainda é pouco explorada pelo próprio setor audiovisual interno.
Ao investir nessa integração, o Brasil busca fortalecer o seu soft power, utilizando o cinema e o audiovisual como ferramentas de influência global. A lógica segue o modelo de sucesso de nações como Coreia do Sul e França, que utilizaram a cultura como motor de atração turística e consumo de produtos nacionais. A intenção é potencializar a identidade do Brics, transformando o grupo em um ecossistema autossustentável de troca de tecnologias e experiências.
Destination Rio e a atração de investimentos
A atuação internacional da RioFilme está alinhada ao projeto Destination Rio, componente central do plano estratégico da prefeitura carioca para o período de 2025 a 2028. A meta é clara: transformar o Rio de Janeiro em um polo de coproduções e distribuição de conteúdo. O projeto busca atrair empresas estrangeiras de audiovisual e tecnologia para se instalarem na capital fluminense.
A RioFilme atua como um facilitador desse ecossistema, promovendo o Rio como um território fértil para negócios. Isso inclui a oferta de infraestrutura e o suporte a inovações, como o uso de inteligência artificial na produção cinematográfica. Em 2024, um memorando de entendimento com a cidade de Moscou já havia pavimentado esse caminho, e a participação de uma delegação russa no Rio2C, em junho de 2026, consolidou as primeiras conexões entre as indústrias criativas das duas nações.
O Fato Paulista segue acompanhando os desdobramentos dessa política de expansão do audiovisual brasileiro e os impactos econômicos das parcerias internacionais para o setor criativo nacional. Continue conosco para se manter informado sobre os principais movimentos da cultura e da economia no Brasil e no mundo.




