Novas diretrizes alteram tratamento de tireoide em gestantes no Brasil

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Novas diretrizes brasileiras mudam tratamento da tireoide na gestação, focando em evitar medicação desnecessária e mantendo o rastreamento universal.
Novas diretrizes alteram tratamento de tireoide em gestantes no Brasil
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Uma mudança significativa nas práticas clínicas brasileiras promete alterar o acompanhamento de saúde de milhares de mulheres durante a gravidez. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) atualizaram suas recomendações sobre o manejo de disfunções da tireoide na gestação. A decisão, alinhada a estudos recentes, estabelece que gestantes com anticorpos positivos (anti-TPO), mas com a glândula funcionando normalmente, não devem mais ser submetidas ao uso preventivo de medicamentos hormonais.

A atualização foi apresentada no dia 28 de agosto de 2026, durante o 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia, realizado no Rio de Janeiro. O novo protocolo brasileiro reflete uma tendência global de evitar a medicalização desnecessária, baseando-se em evidências científicas que indicam que o tratamento preventivo, nestes casos específicos, não reduz a incidência de abortamentos ou partos prematuros.

Fim da prescrição preventiva para anticorpos positivos

O ponto central da nova diretriz é a conduta diante da presença de anticorpos anti-TPO. Até então, era comum a prescrição de levotiroxina — o hormônio sintético da tireoide — para gestantes que apresentavam esses anticorpos, mesmo que seus níveis de TSH e T4 estivessem dentro da normalidade. A nova orientação é clara: se a mulher é considerada eutireoidiana (com níveis hormonais adequados), o uso do fármaco não traz benefícios comprovados.

Cleo Mesa Júnior, subcoordenador do Departamento de Tireoide da SBEM, enfatiza que a presença do anticorpo é um marcador de predisposição, mas não uma doença ativa que exija intervenção medicamentosa imediata. “Se os hormônios TSH e o T4 livre estão normais, a mulher é considerada eutireoidiana e não há benefício comprovado em usar levotiroxina apenas pela gestante ter o anticorpo positivo”, explica o especialista. Contudo, o monitoramento clínico permanece indispensável, dado o risco aumentado de desenvolvimento de hipotireoidismo ao longo dos meses de gestação.

Manutenção do rastreamento universal no Brasil

Diferente da Associação Americana da Tireoide (ATA), que passou a sugerir um rastreamento seletivo — focado apenas em mulheres com fatores de risco como obesidade ou idade avançada —, o Brasil manterá a estratégia de rastreamento precoce para todas as gestantes. A decisão visa garantir que nenhuma paciente com disfunção tireoidiana passe despercebida pelo sistema de saúde.

O especialista destaca que o rastreamento seletivo é um tema controverso, pois não há provas definitivas de que ele seja superior ao universal. Ao optar por testar todas as gestantes, o Brasil busca equilibrar a detecção precoce com a individualização do tratamento, evitando que mulheres sem fatores de risco, mas com alterações reais, fiquem sem diagnóstico.

Novas regras para o hipotireoidismo subclínico

O manejo do hipotireoidismo subclínico, caracterizado pelo aumento do TSH com T4 livre normal, também foi refinado. Agora, o tratamento com levotiroxina para níveis de TSH entre 4,0 e 10 mUI/L é priorizado no primeiro trimestre, período crítico para o desenvolvimento fetal. Caso a alteração seja detectada apenas no segundo ou terceiro trimestre, a recomendação é de acompanhamento sem medicação, a menos que o TSH ultrapasse 10 mUI/L.

Além disso, o Brasil mantém uma postura pragmática quanto à repetição de exames. Enquanto diretrizes internacionais sugerem aguardar de uma a três semanas para confirmar alterações leves, a realidade do sistema de saúde brasileiro impõe cautela. “Em um sistema em que nem sempre é possível garantir retorno rápido, esperar pode significar perder a janela de oportunidade para o tratamento”, justifica Cleo Mesa Júnior. Para mais informações sobre saúde e atualizações médicas, continue acompanhando o Fato Paulista, seu portal de referência em notícias relevantes e com credibilidade.

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