O Observatório do Clima, rede que reúne organizações ambientais e de pesquisa, apresentou nesta terça-feira (18) um mapeamento estratégico com 37 soluções práticas para mitigar a emissão de metano (CH4) no Brasil. O gás, embora permaneça por um período menor na atmosfera do que o dióxido de carbono, possui um potencial de aquecimento global 28 vezes superior, tornando-se um dos principais vilões das mudanças climáticas atuais.
Com o Brasil ocupando a quinta posição entre os maiores emissores mundiais — atrás apenas de China, Estados Unidos, Índia e Rússia —, o cenário exige atenção urgente. Dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) indicam que, apenas em 2024, o país lançou 21 milhões de toneladas de metano na atmosfera. Para David Tsai, coordenador do SEEG, a transição do conhecimento técnico para a implementação em escala é o passo fundamental para frear o aquecimento do planeta.
Estratégias para reduzir emissões de metano por setor
O documento detalha propostas estruturadas para quatro pilares da economia: agropecuária, resíduos, mudança de uso da terra e energia. O objetivo é oferecer um roteiro que combine planejamento, governança e monitoramento, integrando desde o setor produtivo até instâncias governamentais e instituições financeiras.
No setor agropecuário, responsável por 15,7 milhões de toneladas de metano em 2024 — o equivalente a 75,8% das emissões nacionais —, o relatório propõe 15 medidas. As ações incluem desde o aprimoramento no manejo de rebanhos e resíduos até a ampliação do acesso a crédito e assistência técnica para produtores rurais. Segundo Gabriel Quintana, do Imaflora, essas mudanças não apenas mitigam danos ambientais, mas representam uma oportunidade para elevar a produtividade e a eficiência na produção de alimentos.
Gestão de resíduos e uso da terra
A crise dos lixões e a ineficiência no manejo de aterros sanitários também estão no centro do debate. Com o apoio da rede Iclei, o relatório apresenta 12 propostas voltadas para o nível municipal. O foco está na redução do desperdício, na expansão da coleta seletiva e no aproveitamento energético de resíduos, transformando o que hoje é um passivo ambiental em fonte de energia sustentável.
Já para o setor de Mudança no Uso da Terra e Florestas, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) enfatiza a necessidade de fortalecer o monitoramento e o combate a incêndios na vegetação nativa. A preservação florestal atua diretamente na regulação climática, evitando que áreas degradadas se tornem fontes adicionais de emissões.
Eficiência energética e responsabilidade industrial
O setor de energia, por sua vez, é alvo de cinco sugestões focadas na cadeia de combustíveis fósseis, como petróleo, gás e carvão. O Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema) aponta que o foco deve ser o controle de vazamentos e o desperdício durante os processos produtivos industriais. A pesquisadora Ingrid Graces ressalta a importância de distinguir as necessidades sociais — como o acesso a fontes de energia para cozinhar — da responsabilidade corporativa, defendendo que a operação industrial deve ser responsabilizada pelos impactos gerados por quem lucra com a atividade.
O relatório completo serve como um guia para que o Brasil alinhe suas políticas públicas aos compromissos climáticos internacionais. O Fato Paulista segue acompanhando os desdobramentos dessa pauta, trazendo análises sobre os impactos ambientais e as soluções para um futuro mais sustentável. Continue conosco para se manter informado sobre os temas que moldam o desenvolvimento do país.




