O mercado de trabalho brasileiro apresentou um desempenho expressivo no segundo trimestre de 2026, consolidando uma trajetória de recuperação. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego recuou para 5,4%, marcando o menor índice já registrado para este período desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, em 2012.
O resultado reflete uma melhora consistente frente aos trimestres anteriores. Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, quando a taxa estava em 6,1%, houve uma redução significativa. O cenário também é positivo quando analisado em relação ao mesmo período de 2025, que registrou 5,8% de desocupação. Esse movimento de queda é acompanhado por um aumento no número de brasileiros ocupados, que alcançou a marca de 103,1 milhões de pessoas.
Expansão das ocupações e setores em alta
O crescimento do contingente de trabalhadores ocupados, que adicionou cerca de 1,081 milhão de pessoas ao mercado em relação ao trimestre anterior, foi impulsionado por setores estratégicos da economia. Entre os destaques positivos, o setor de transporte, armazenagem e correio apresentou um crescimento de 3,9%, incorporando 235 mil novos trabalhadores.
Outro segmento que contribuiu para o aquecimento do mercado foi o de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, que registrou uma alta de 2,6%, totalizando 489 mil postos de trabalho adicionais. Esse dinamismo setorial reflete a demanda por serviços essenciais e a logística necessária para a movimentação da economia nacional.
Renda média e o desafio da informalidade
Apesar da queda no desemprego, o rendimento médio do trabalhador brasileiro apresenta nuances importantes. O valor médio ficou em R$ 3.738, o maior patamar já registrado para um segundo trimestre na série histórica. Contudo, houve uma leve retração quando comparado ao primeiro trimestre de 2026, que registrou R$ 3.765, indicando uma estabilização nos ganhos reais.
O mercado de trabalho ainda convive com um patamar elevado de informalidade, que atingiu 37,4% no período. O IBGE classifica como informais trabalhadores sem carteira assinada e autônomos sem CNPJ, que frequentemente carecem de proteções previdenciárias e trabalhistas. Atualmente, o país conta com 39,4 milhões de trabalhadores com carteira assinada frente a 13,6 milhões sem o vínculo formal.
Contexto histórico e mercado formal
Para compreender a dimensão desses números, é preciso observar o histórico recente. O menor índice de desemprego já aferido pela Pnad foi de 5,1%, no último trimestre de 2025. Em contrapartida, os momentos mais críticos foram observados durante a pandemia de covid-19, quando a taxa atingiu 14,9% nos trimestres encerrados em setembro de 2020 e março de 2021.
Complementarmente, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que monitora exclusivamente o mercado formal, reforça a tendência de crescimento. Em junho, o país registrou um saldo positivo de 145,2 mil vagas com carteira assinada, acumulando 921,7 mil novos postos formais ao longo de 2026.
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