A Rede de Proteção Digital para Comunicadoras Negras (Repcone) anuncia a abertura das inscrições para sua segunda edição, um programa vital que visa fortalecer a atuação de mulheres negras, indígenas e quilombolas na América Latina. Com prazo final em 5 de agosto, a iniciativa oferece formação gratuita em cibersegurança, apoio psicossocial e orientação jurídica, ferramentas essenciais para combater a crescente onda de violência digital que afeta essas profissionais e lideranças.
Em um cenário onde o ambiente online se torna cada vez mais hostil para vozes femininas e racializadas, a Repcone surge como uma resposta estratégica. A proposta é não apenas capacitar, mas também criar uma rede de solidariedade e proteção transnacional, garantindo que essas mulheres possam exercer suas atividades públicas com maior segurança e resiliência. A relevância do programa é acentuada por coincidir com as celebrações do Mês Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, cujo ponto alto é o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, em 25 de julho.
Ameaças Digitais e a Vulnerabilidade de Mulheres Negras
A violência digital não é um fenômeno isolado, mas uma extensão das desigualdades estruturais de raça e gênero que permeiam a sociedade. Para mulheres negras, indígenas e quilombolas que ocupam espaços de visibilidade na comunicação, na defesa de direitos ou na liderança comunitária, as ameaças online são frequentemente mais intensas e coordenadas. Campanhas de desinformação, assédio, perseguição e vazamento de dados são táticas usadas para silenciar e afastar essas vozes do debate público e dos espaços de decisão.
Marcelle Chagas, coordenadora geral da Rede de Jornalistas Pretos (Rede JP), idealizadora da Repcone, destaca a complexidade desse ambiente. “O ambiente digital tem se tornado um espaço cada vez mais complexo e, muitas vezes, mais nocivo para mulheres negras que ocupam espaços públicos”, afirma. A iniciativa da Rede JP busca reverter esse quadro, fortalecendo a capacidade de proteção e resposta dessas mulheres diante de ataques que visam minar sua atuação e bem-estar.
Estrutura Abrangente de Formação e Apoio
A Repcone 2026 está estruturada em quatro frentes de atuação integradas, desenhadas para oferecer um suporte completo e multifacetado. As participantes terão acesso a aulas virtuais que cobrem temas cruciais como segurança digital, resposta a incidentes, proteção de dados e enfrentamento à desinformação. Além disso, o programa inclui um pilar de proteção e cuidado, com apoio psicossocial e orientação jurídica especializada, reconhecendo os impactos emocionais e legais da violência online.
A formação também prevê protocolos de resposta rápida para situações de ataques coordenados e assédio, bem como o fortalecimento da infraestrutura tecnológica das participantes. As quatro aulas online serão realizadas em plataforma de comunicação por vídeo, com acessibilidade em Libras e tradução para português e espanhol, garantindo a inclusão e o alcance a um público diversificado na América Latina.
Seleção e Expansão para Lideranças Diversas
A seleção para a Repcone não se restringe apenas a jornalistas e comunicadoras, mas se estende a mulheres em posições de liderança comunitária, institucional ou organizacional que estejam expostas a riscos de segurança digital. Terão prioridade mulheres negras (pretas e pardas), indígenas e pertencentes a povos e comunidades tradicionais (quilombolas, ribeirinhas, caiçaras, de terreiro, entre outras), especialmente aquelas que atuam em contextos de invisibilidade estrutural e maior risco.
Nesta edição, 30 mulheres da América Latina serão selecionadas, buscando espelhar a diversidade de perfis, territórios e identidades da região. A expectativa da Rede JP, segundo Marcelle Chagas, é “garantir que a oportunidade de participação chegue a comunicadoras e lideranças negras de diferentes regiões e territórios, fortalecendo uma rede cada vez mais diversa e conectada”. As selecionadas receberão confirmação por e-mail e WhatsApp.
Inovação com Latinas IA e o Legado da Primeira Edição
Uma das novidades desta edição é o lançamento do Latinas IA, uma iniciativa da Rede de Jornalistas Pretos que promete revolucionar o apoio a mulheres em vulnerabilidade digital. Este agente digital estará disponível 24 horas para oferecer suporte contra violência digital, assédio e desinformação direcionada a mulheres na política e na mídia. A ferramenta funcionará como um ambiente integrado de orientação e resposta, conectando usuárias a fontes verificadas, conteúdos de checagem e guias práticos de segurança digital, adaptados às realidades sociais, culturais e linguísticas da América Latina.
A Repcone não é uma iniciativa isolada. Sua primeira edição, lançada em agosto de 2025, já demonstrou o impacto positivo do programa, com a participação de 50 mulheres e um alcance estimado de 17,1 milhões de pessoas. Como resultado desse primeiro treinamento, a rede lançou em dezembro de 2025 a cartilha Repcone Proteção Digital para Comunicadoras Negras na América Latina. Este material valioso reúne dados, análises e orientações práticas para enfrentar a violência digital, promovendo o acesso aberto ao conhecimento e o cuidado com a saúde mental, e reforçando a compreensão de que a violência digital é parte das desigualdades estruturais.
O Fato Paulista segue atento a iniciativas como a Repcone, que promovem a segurança e o empoderamento de grupos historicamente marginalizados. Para se manter informado sobre este e outros temas relevantes, acompanhe nosso portal, que oferece notícias atualizadas e análises aprofundadas sobre os acontecimentos que impactam a sociedade brasileira e latino-americana. Nosso compromisso é com a informação de qualidade e a contextualização dos fatos.




