O telejornalismo brasileiro perdeu uma de suas vozes mais icônicas em 12 de março de 2016, com a morte do jornalista Berto Filho. Conhecido por sua passagem pela bancada do Jornal Nacional e outros importantes noticiários da TV Globo, o comunicador faleceu no Rio de Janeiro, poucas horas antes de completar 76 anos de idade. A coincidência entre a data de seu falecimento e a véspera de seu aniversário adicionou um tom ainda mais comovente à despedida de um profissional que marcou gerações.
A notícia de sua partida reverberou entre colegas de profissão, familiares e o público que o acompanhou por décadas, relembrando a credibilidade e a seriedade que Berto Filho transmitia em cada apresentação. Sua trajetória é um capítulo importante na história da televisão nacional, refletindo o período de consolidação do telejornalismo no Brasil.
A Trajetória de um Ícone do Telejornalismo Brasileiro
Nascido no Rio de Janeiro, Berto Filho construiu uma carreira extensa e respeitada na televisão. Sua voz firme e sua postura séria o tornaram um rosto familiar para milhões de brasileiros, especialmente durante as décadas de 1970 e 1980. Ele não apenas ancorou edições do Jornal Nacional, mas também esteve à frente de programas como Jornal Hoje, Fantástico, RJTV e Painel, consolidando sua imagem como um pilar da informação.
Sua atuação na TV Globo ocorreu em um período de grande expansão da televisão brasileira, quando a figura do apresentador de telejornal era sinônimo de confiança e autoridade. Berto Filho personificava esses atributos, sendo lembrado por muitos como um profissional que representava equilíbrio e imparcialidade na cobertura dos fatos mais relevantes do país. Mesmo após sua saída inicial da emissora em 1986, ele continuou a colaborar com outras redes, como TV Rio, Rede Manchete, SBT e RedeTV!, e retornou à Globo em 2004 para atuar novamente como locutor do Fantástico até 2008, provando a atemporalidade de sua voz e talento.
A Luta Contra a Doença e as Perdas Pessoais de Berto Filho
Os últimos anos da vida de Berto Filho foram marcados por uma intensa batalha contra o câncer. Inicialmente, ele enfrentou um câncer no fígado, do qual conseguiu se recuperar e retomar suas atividades profissionais. Contudo, a doença retornou de forma mais agressiva, com um novo diagnóstico de câncer na garganta, que posteriormente se espalhou para o cérebro. Essa progressão da enfermidade impôs severas limitações físicas e tornou o tratamento cada vez mais desafiador.
Em meio a essa luta, o jornalista enfrentou outra perda devastadora: a morte de sua esposa, Marisa, com quem compartilhou mais de cinco décadas de vida. Segundo relatos de seu filho mais velho, Henry Lelot, essa perda abalou profundamente Berto Filho, que nunca se recuperou completamente do luto. Acredita-se que o impacto emocional da ausência de sua companheira tenha contribuído para o agravamento de seu estado de saúde, adicionando uma camada de dor pessoal à sua já árdua jornada contra a doença.
Os Últimos Dias e a Despedida no INCA
Com a saúde debilitada e a necessidade de cuidados contínuos, Berto Filho passou a residir no Retiro dos Artistas, uma instituição no Rio de Janeiro que acolhe profissionais das artes e da comunicação em situação de vulnerabilidade. Essa mudança refletiu a gravidade de seu quadro, que exigia atenção e assistência permanentes.
Nos seus dias finais, o jornalista foi internado no Instituto Nacional de Câncer (INCA), uma referência nacional no tratamento e pesquisa da doença. Foi neste hospital, especializado em oncologia, que a equipe médica acompanhou a evolução de seu estado clínico. A morte de Berto Filho foi registrada na tarde de 12 de março de 2016. Conforme o relato de Henry Lelot, seu pai faleceu de forma tranquila, enquanto dormia, poucas horas antes da celebração de seu 76º aniversário, que já estava sendo preparada pela família. O INCA, como instituição, desempenha um papel crucial na saúde pública brasileira, oferecendo tratamento e esperança a inúmeros pacientes.
Homenagens e o Legado de uma Voz Inesquecível
A notícia da morte de Berto Filho gerou uma onda de comoção e homenagens no meio jornalístico. Colegas de longa data e profissionais que tiveram a oportunidade de trabalhar ao seu lado expressaram seu pesar e destacaram a importância do jornalista para a televisão brasileira. Marcos Hummel, que dividiu a bancada de diversos telejornais com ele, ressaltou que Berto representava uma geração de jornalistas fundamental para a consolidação do telejornalismo no país, tendo atuado em um período de transformações e crescimento da comunicação.
Celso Freitas também lamentou a perda, afirmando que o câncer havia silenciado uma das vozes mais marcantes da televisão brasileira. Essas declarações sublinharam o respeito e a admiração que Berto Filho conquistou ao longo de suas décadas de dedicação à profissão. As palavras emocionadas de seu filho, Henry Lelot, sobre a partida do pai em paz e o reencontro com a esposa amada, tocaram o coração de muitos que acompanharam a trajetória do comunicador.
O Sonho da Autobiografia “Trevo de Quatro Folhas”
Mesmo durante os desafios impostos pela doença, Berto Filho manteve viva sua paixão pelo jornalismo e pela escrita. Enquanto residia no Retiro dos Artistas, ele dedicou parte de seu tempo à elaboração de uma autobiografia intitulada “Trevo de Quatro Folhas”. A obra era um compêndio de suas memórias pessoais, histórias marcantes da televisão brasileira e os ensinamentos acumulados ao longo de sua vasta carreira.
Henry Lelot revelou que o pai conseguiu concluir o livro, mas não teve a chance de vê-lo publicado em vida. Antes de falecer, Berto Filho fez um último pedido ao filho: que levasse o projeto adiante. Henry prometeu cumprir esse desejo, enxergando a publicação como uma forma de preservar a memória de seu pai e apresentar às novas gerações o legado de um profissional que, com sua voz e credibilidade, fez história como um dos mais respeitados âncoras do telejornalismo brasileiro.
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