Dólar encosta em R$ 5,10 com impacto de tarifas dos EUA e instabilidade global

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Dólar sobe a R$ 5,098 com tarifas dos EUA e cautela global. Ibovespa cai 1,24% em dia de tensão nos mercados financeiros internacionais.
Dólar encosta em R$ 5,10 com impacto de tarifas dos EUA e instabilidade global
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O mercado financeiro brasileiro viveu uma quinta-feira (16) marcada por forte cautela e aversão ao risco. O dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 5,098, registrando uma alta de 0,40%. O movimento reflete a combinação de um cenário externo adverso, com a moeda norte-americana ganhando força globalmente, e a repercussão interna da confirmação de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

A tensão nos mercados foi amplificada pela expectativa de que os juros nos Estados Unidos permaneçam em patamares elevados por mais tempo. Dados recentes sobre a economia estadunidense, que apontaram um mercado de trabalho resiliente e um consumo aquecido, reforçaram a tese de que o Federal Reserve (Fed) não deve iniciar um ciclo de cortes agressivos tão cedo. Essa perspectiva atrai capital para os títulos do Tesouro norte-americano, drenando recursos de economias emergentes e pressionando o câmbio.

Impactos do tarifaço e a reação dos investidores

Internamente, o foco dos investidores recaiu sobre a imposição de uma tarifa de 25% sobre uma parcela das exportações brasileiras para os Estados Unidos. Embora o governo tenha conseguido excluir setores estratégicos como aeronaves, óleo, café e carne da lista inicial, a medida gerou incertezas sobre o fluxo cambial e a competitividade de outros segmentos da indústria nacional.

O mercado agora monitora de perto como o governo brasileiro reagirá à medida, especialmente diante da possibilidade de aplicação da chamada Lei da Reciprocidade. Essa cautela foi um dos principais fatores que impediram uma recuperação mais sólida dos ativos locais, mantendo o dólar próximo da barreira psicológica de R$ 5,10, patamar que chegou a ser superado durante a máxima do dia, quando a divisa atingiu R$ 5,11.

Ibovespa e a pressão sobre as commodities

A bolsa brasileira, representada pelo índice Ibovespa, acompanhou o pessimismo de Wall Street e fechou o dia aos 173.825,27 pontos, uma queda de 1,24%. O desempenho negativo foi puxado pelas ações de maior peso no índice, com destaque para o setor de energia e mineração. Os papéis da Petrobras recuaram em linha com a desvalorização do petróleo, enquanto mineradoras sofreram com a queda do minério de ferro no mercado internacional.

Apesar do recuo nesta sessão, o Ibovespa ainda acumula uma alta de 7,88% no ano de 2026. A volatilidade, contudo, permanece como a marca registrada do período, com investidores tentando equilibrar o otimismo com a resiliência da economia doméstica e o medo de choques externos provocados por políticas protecionistas.

Geopolítica e o paradoxo do petróleo

Um dos pontos de maior atenção no cenário global continua sendo o Oriente Médio. Apesar das ameaças constantes do grupo houthi, no Iêmen, contra infraestruturas petrolíferas na Arábia Saudita e o risco de bloqueio em rotas cruciais como o Estreito de Ormuz, o preço do barril de petróleo terminou o dia em queda. O Brent fechou a US$ 84,23 (-0,85%) e o WTI a US$ 78,95 (-0,82%).

Essa queda, mesmo em meio a um cenário de risco geopolítico, sugere que o mercado está ponderando outros fatores, como o impacto da demanda global e o fortalecimento do dólar, que encarece a commodity para compradores de outras moedas. O prêmio de risco, porém, continua incorporado aos preços, mantendo o setor de energia sob constante vigilância.

Para entender os desdobramentos dessas movimentações econômicas e como elas afetam o seu bolso, continue acompanhando o Fato Paulista. Nosso compromisso é levar até você uma cobertura jornalística aprofundada, com a credibilidade e a clareza necessárias para navegar em tempos de incerteza econômica.

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