EUA excluem café, carne e aeronaves de nova sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros

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tarifas - EUA impõem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, mas poupam café, carne e aeronaves. Brasil promete recorrer à OMC e aplicar lei de reciprocidade.
© Valter Campanato/Agência Brasil
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Em uma decisão que impacta diretamente a balança comercial brasileira, o governo dos Estados Unidos anunciou uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos nacionais. No entanto, setores estratégicos da economia, como o de aeronaves, petróleo, carne bovina e café, conseguiram escapar do novo tarifaço. Juntos, esses itens representaram um terço de todas as exportações do Brasil para o mercado norte-americano apenas no primeiro semestre deste ano.

A medida, oficializada nesta quarta-feira (15) pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), também poupou outros produtos de peso na pauta exportadora, como a celulose, o minério de ferro, o ferro-gusa e o suco de laranja. A decisão de manter esses produtos fora da lista de taxação reflete uma estratégia pragmática de Washington para evitar desabastecimento interno ou o encarecimento excessivo de insumos essenciais para a sua própria indústria e consumo.

Critérios para isenção e impacto na economia

A exclusão de determinados produtos do tarifaço não ocorreu por acaso. Segundo analistas, o governo estadunidense optou por preservar itens que não são produzidos em território norte-americano em volume suficiente ou que possuem preços competitivos fundamentais para a estabilidade do mercado consumidor local. Ao isentar esses bens, os EUA buscam mitigar riscos de perturbações em sua economia interna, mantendo o fluxo comercial de insumos que são vitais para setores como o de aviação civil e o agronegócio.

Por outro lado, o cenário é de preocupação para outros segmentos produtivos. A nova taxação de 25% atinge duramente setores como o de ferro e aço, açúcar, etanol, vestuário e calçados. Também foram incluídos na lista de sobretaxas produtos farmacêuticos e maquinários elétricos que não possuem relação direta com a aviação, o que deve pressionar as margens de lucro e a competitividade dessas indústrias brasileiras no mercado externo.

Reação do governo e medidas de retaliação

O anúncio das tarifas, que devem entrar em vigor no próximo dia 22, gerou uma reação imediata de Brasília. O governo brasileiro repudiou a decisão, classificando a investigação conduzida pelo USTR como ilegítima e sem fundamentação técnica. Segundo o órgão norte-americano, a taxação seria uma resposta a práticas brasileiras que, supostamente, oneram ou restringem o comércio de trabalhadores e exportadores estadunidenses.

Em resposta, o Brasil já sinalizou que não pretende aceitar as medidas passivamente. O país informou que iniciará os trâmites para aplicar a Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional, e levará o caso ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). A disputa promete ser um dos pontos centrais da agenda diplomática e econômica nos próximos meses, testando a resiliência das relações comerciais entre os dois países.

O Fato Paulista segue acompanhando os desdobramentos dessa crise comercial e os impactos diretos nos setores produtivos do país. Continue conosco para se manter informado com análises aprofundadas sobre economia, política e os fatos que moldam o cenário nacional e internacional com seriedade e compromisso jornalístico.

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