O montante de recursos esquecidos por cidadãos e empresas em instituições financeiras registrou uma queda significativa, atingindo a marca de R$ 6,24 bilhões em maio. A atualização, divulgada pelo Banco Central (BC), reflete o impacto direto da implementação da Lei 14.973/2024, que permitiu o redirecionamento de valores sem movimentação para o Fundo Garantidor de Operações (FGO), suporte financeiro essencial para o programa Desenrola Brasil.
Apesar da transferência de R$ 5,7 bilhões para os cofres do Fundo, o Banco Central assegura que o Sistema de Valores a Receber (SVR) continua ativo e com bilhões de reais disponíveis para resgate. A operação, embora tenha reduzido o saldo total parado nas instituições, ainda é alvo de análise pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que investiga a utilização de recursos fora do Orçamento público para o financiamento de políticas governamentais.
Distribuição dos valores e perfil dos beneficiários
Mesmo com a movimentação recente, o volume remanescente de R$ 6,24 bilhões ainda alcança uma parcela expressiva da população e do setor corporativo. Segundo os dados oficiais, R$ 4,44 bilhões estão vinculados a 24,08 milhões de pessoas físicas, enquanto R$ 1,8 bilhão pertence a 2,27 milhões de empresas. Desde o lançamento do SVR, o sistema já viabilizou a devolução de R$ 15,47 bilhões aos seus respectivos titulares.
A maior concentração desses recursos ainda reside nos bancos tradicionais, que detêm R$ 2,91 bilhões do total. O restante está pulverizado entre administradoras de consórcios, cooperativas de crédito, instituições de pagamento, financeiras e corretoras. O Banco Central ressalta que, conforme a legislação vigente, pelo menos 10% do valor que foi transferido para o FGO permanece reservado para atender a eventuais solicitações de resgate feitas pelos titulares originais.
Perfil do resgate e facilidade de consulta
Uma análise detalhada sobre quem tem direito a esses valores revela que a grande maioria dos beneficiários possui quantias modestas. Cerca de 67,6% dos titulares têm direito a receber até R$ 10, enquanto apenas 2,46% possuem montantes superiores a R$ 1 mil. Essas pequenas quantias, muitas vezes originadas de tarifas cobradas indevidamente, saldos de contas encerradas ou parcelas de empréstimos, acabam sendo esquecidas pela rotina financeira dos correntistas.
Para verificar se existe algum saldo pendente, o cidadão deve acessar exclusivamente o site oficial do SVR. O processo exige que o usuário possua uma conta Gov.br de nível prata ou ouro, garantindo a segurança dos dados. Após a consulta, o sistema orienta sobre o pedido de devolução. Para quem utiliza o CPF como chave Pix, o Banco Central disponibiliza a opção de resgate automático, que facilita o recebimento de novos valores identificados sem a necessidade de novas solicitações manuais.
Procedimentos para herdeiros e falecidos
O sistema também contempla a consulta de valores em nome de pessoas falecidas. Nestes casos, o acesso é permitido a herdeiros, inventariantes ou representantes legais. O solicitante deve utilizar sua própria conta Gov.br e preencher um termo de responsabilidade. Após a localização do saldo, a liberação final deve ser negociada diretamente com a instituição financeira detentora do recurso, seguindo as normas de sucessão legal.
O Fato Paulista segue acompanhando as atualizações do Banco Central e os desdobramentos sobre a gestão desses recursos. Nosso compromisso é levar até você informações precisas e úteis para o seu dia a dia financeiro. Continue acompanhando nosso portal para se manter atualizado sobre economia, política e os temas que impactam diretamente o seu bolso e a sociedade brasileira.




