O custo de vida dos brasileiros registrou um alívio importante no mês de junho. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o período em 0,16%. O resultado marca o menor patamar para o indicador desde outubro de 2025 e confirma uma trajetória de desaceleração, sendo o quarto mês consecutivo de perda de força inflacionária.
O recuo foi impulsionado, em grande medida, pelo comportamento dos preços nos supermercados. Após meses de pressão, o grupo de alimentação e bebidas apresentou deflação, devolvendo parte das altas acumuladas recentemente. Este movimento é um alívio direto para o orçamento das famílias, que vinham sentindo o impacto do encarecimento de itens essenciais da cesta básica.
Alívio no carrinho de compras e recuo nos preços
O grupo de alimentação e bebidas foi o principal responsável pela contenção do índice, registrando queda de 0,24%. Dentro dessa categoria, a alimentação consumida no domicílio teve um recuo médio de 0,39%, marcando a primeira deflação nesse segmento desde novembro de 2025. Produtos como o café moído (-3,72%), o tomate (-2,02%) e as carnes (-0,64%) foram destaques positivos, ajudando a segurar a inflação do mês.
Segundo o analista do IBGE, Fernando Gonçalves, a queda reflete uma combinação de fatores, incluindo a maior oferta de determinados produtos sazonais e o ajuste de preços que haviam subido de forma acentuada em meses anteriores. O açaí, com queda expressiva de 14,41%, e o óleo de soja (-2,78%) também contribuíram para o cenário de maior equilíbrio nos preços dos alimentos.
Pressão nos custos de habitação e energia
Enquanto a alimentação trouxe alívio, o grupo de habitação exerceu a maior pressão de alta sobre o IPCA de junho, com variação de 0,63%. O principal vilão foi a conta de luz, que subiu 1,53% no período. Esse aumento foi motivado pela manutenção da bandeira tarifária amarela, que adiciona custos extras ao consumo de energia, além de reajustes tarifários aplicados em capitais como Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
No setor de transportes, o cenário foi misto. As passagens aéreas registraram uma alta significativa de 7,12%, pressionando o índice para cima. Por outro lado, os combustíveis apresentaram um comportamento favorável, com queda de 0,48%. O etanol (-3,09%) e o óleo diesel (-1,19%) foram os itens que mais ajudaram a compensar a alta das passagens, trazendo um respiro para o setor de mobilidade urbana.
Cenário econômico e metas do Banco Central
No acumulado de 12 meses, o IPCA atingiu 4,64%. Embora o índice esteja abaixo do acumulado registrado até maio (4,72%), ele ainda se mantém ligeiramente acima do teto da meta estabelecida pelo governo, que é de 4,5%. O mercado financeiro, por meio do relatório Focus, havia projetado uma inflação de 0,32% para junho, o que significa que o resultado oficial veio abaixo das expectativas dos agentes econômicos.
O IPCA é a principal ferramenta utilizada pelo Banco Central para balizar a política monetária e o controle da taxa de juros. A meta atual, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), prevê um centro de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O monitoramento contínuo desses dados é essencial para entender os próximos passos da economia brasileira.
Continue acompanhando o Fato Paulista para se manter informado sobre os indicadores econômicos que impactam o seu dia a dia. Nosso compromisso é levar até você uma análise precisa, contextualizada e transparente sobre os fatos que movem o Brasil.




