A busca por novas oportunidades em Arco Íris
Aos 38 anos, Mônica Clesqui Mendonça, moradora de Arco Íris, na região de Marília, encontrou no programa Caminho da Capacitação uma forma de transformar sua trajetória profissional. Com uma história marcada pela versatilidade, Mônica já havia atuado como bordadeira, cozinheira, costureira e estoquista antes de decidir ingressar em uma área historicamente ocupada por homens: a soldagem.
A iniciativa, promovida pelo Fundo Social de São Paulo, tem percorrido o estado com carretas equipadas para oferecer qualificação profissional gratuita. Até o momento, o projeto já alcançou 300 municípios e capacitou mais de 17,8 mil alunos, democratizando o acesso ao aprendizado técnico em regiões que muitas vezes carecem de oportunidades especializadas.
Resiliência diante de um diagnóstico inesperado
O caminho de Mônica até a certificação não foi linear. Enquanto participava das aulas, a aluna enfrentou um grave problema de saúde: sofreu um enfarte. Durante o atendimento hospitalar, recebeu o diagnóstico de que parte de seu coração estava com o funcionamento comprometido, o que exigiu a implantação de um marcapasso.
Mesmo diante da fragilidade física, ela não desistiu do aprendizado. Motivada pelo desejo de garantir um futuro melhor para seus seis filhos, Mônica persistiu e concluiu o curso. Sua determinação reflete o impacto social de programas de qualificação, que vão além da técnica e atuam como ferramentas de empoderamento e superação pessoal.
Quebrando barreiras em um setor masculino
Ao ingressar na soldagem, Mônica precisou lidar com o ceticismo de muitos homens. Segundo ela, o ambiente ainda é permeado por preconceitos que tentam deslegitimar a presença feminina em funções operacionais de risco. A soldadora aponta que o estranhamento masculino muitas vezes esconde o receio de que o trabalho feminino supere as expectativas em termos de qualidade e precisão.
“Eles acham que não sabemos fazer igual, mas é medo mesmo de que fique melhor do que o trabalho que eles fazem. Mulheres têm mania de perfeição, gostam de fazer tudo certinho”, afirma. Essa postura de Mônica desafia estereótipos e abre caminho para que outras mulheres se sintam seguras para ocupar espaços técnicos e industriais.
Aplicação prática e planos para o futuro
Atualmente, o conhecimento adquirido na carreta do Caminho da Capacitação já gera resultados práticos na rotina de Mônica. Ela continua trabalhando na roça de mandioca de seu sogro, mas agora aplica as técnicas de solda na manutenção de tratores e equipamentos agrícolas da propriedade. A economia gerada pela capacidade de realizar os reparos internamente é um exemplo direto da utilidade do curso.
O sucesso de Mônica a inspirou a planejar novos passos. O objetivo agora é fundar uma associação beneficente voltada ao ensino de outras mulheres da região. Ela deseja compartilhar o aprendizado para que mais pessoas possam conquistar independência financeira e transformar suas realidades, assim como ela fez. O projeto do Fundo Social de São Paulo segue como um pilar importante para essas mudanças locais.
O Fato Paulista acompanha de perto as iniciativas de desenvolvimento regional e histórias de superação que impactam a vida dos cidadãos. Continue conosco para ler mais sobre projetos de qualificação e o desenvolvimento social em nosso estado.




