Governo brasileiro assume responsabilidade pelo desaparecimento de estudante da Unb na ditadura

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Governo brasileiro pede desculpas pelo desaparecimento de Paulo de Tarso Celestino da Silva, estudante da UnB vítima da ditadura militar.
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© Agência Brasil/Fernando Frazão
© Agência Brasil/Fernando Frazão

Um marco de reparação histórica na Universidade de Brasília

Após quase 45 anos de espera por respostas, o Estado brasileiro formalizou um pedido público de desculpas pelo desaparecimento de Paulo de Tarso Celestino da Silva. O ex-aluno de Direito da Universidade de Brasília (UnB), que tinha apenas 27 anos quando foi levado pelos órgãos de repressão, tornou-se um símbolo da luta por memória e justiça no país. A cerimônia, realizada no campus da instituição, reuniu familiares, ex-colegas, membros da Comissão de Mortos e Desaparecidos e representantes do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania.

O ato simbólico busca não apenas oferecer uma reparação à família de Paulo de Tarso, mas também reconhecer a responsabilidade institucional pelas violações de direitos humanos cometidas durante o regime militar (1964-1985). Para o governo, o reconhecimento é um passo essencial para que a sociedade brasileira confronte os traumas de um passado que ainda reverbera na estrutura democrática atual.

A trajetória de militância e o destino na Casa da Morte

Natural de Morrinhos, em Goiás, Paulo de Tarso era filho do deputado federal Pedro Celestino da Silva, que teve seu mandato cassado pelo AI-5. Após concluir sua graduação em Direito na UnB em 1969, o jovem seguiu para a França, onde realizou pós-graduação na Universidade de Sorbonne. Ao retornar ao Brasil, integrou a Ação Libertadora Nacional (ALN), tornando-se alvo da perseguição política da época.

Informações compiladas pelo portal Memórias da Ditadura indicam que o estudante desapareceu em 12 de julho de 1971, no Rio de Janeiro. Ele foi capturado por agentes do DOI-CODI do I Exército e levado para um centro clandestino de tortura em Petrópolis, conhecido como “Casa da Morte”. Relatos de sobreviventes, como o depoimento de Inês Etienne Romeu, detalham as sessões de tortura extrema sofridas por ele antes de ser executado, em um processo que incluía o esquartejamento de corpos para ocultar provas dos crimes.

O compromisso com a memória e a autonomia universitária

Durante o evento, a ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Janine Melo, destacou que a ausência de informações sobre o paradeiro de Paulo de Tarso impede que a família encerre o ciclo de luto. Segundo a ministra, o fim da ditadura não apagou as marcas da violência estatal, e o país ainda enfrenta o desafio de reconciliar-se com sua própria história através de políticas públicas de verdade e reparação.

A reitora da UnB, Rozana Naves, reforçou a importância da universidade como um espaço de resistência. Ela ressaltou que a memória de Paulo de Tarso é um chamado permanente pela defesa da liberdade de pensamento e da autonomia acadêmica. Para a reitora, honrar a trajetória do ex-aluno é reafirmar o compromisso da instituição com a democracia e com a produção científica voltada ao bem-estar do país.

O legado da luta por justiça

O reconhecimento do Estado brasileiro integra uma série de ações voltadas à retificação de certidões e ao acolhimento de vítimas da repressão. Ao trazer à tona casos como o de Paulo de Tarso, o poder público busca garantir que as novas gerações compreendam o custo da liberdade e a importância de instituições fortes que impeçam o retorno de práticas autoritárias.

O Fato Paulista segue acompanhando os desdobramentos das políticas de memória e os avanços nos processos de reparação histórica no Brasil. Continue conosco para se manter informado sobre temas relevantes, direitos humanos e os fatos que moldam a nossa sociedade com a seriedade e a profundidade que você merece.

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