O Brasil deu um passo significativo em sua política de comércio exterior ao concluir a ratificação dos acordos de livre comércio firmados entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), bem como com Singapura. A medida, que reforça a estratégia nacional de ampliação e diversificação de mercados para produtos brasileiros, representa um avanço importante na inserção do país na economia global.
Os instrumentos de ratificação foram formalmente depositados em 30 de junho junto ao governo do Paraguai, que exerceu a presidência pro tempore do Mercosul no primeiro semestre de 2026. Este ato encerra a etapa brasileira dos dois processos, abrindo caminho para a implementação efetiva dos tratados. A informação foi confirmada em 2 de julho pelos Ministérios das Relações Exteriores, da Agricultura e Pecuária, e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), sublinhando o caráter interministerial e estratégico da iniciativa.
Acordos comerciais impulsionam o comércio exterior brasileiro
A ratificação desses acordos é um pilar fundamental na política de comércio exterior do Brasil, visando não apenas a abertura de novos mercados, mas também a consolidação de parcerias comerciais mais robustas e diversificadas. Em um cenário global cada vez mais competitivo, a capacidade de acessar mercados estratégicos na Europa e na Ásia com condições preferenciais é crucial para o crescimento econômico e a geração de empregos no país.
Historicamente, o Mercosul tem sido o principal foco da política comercial brasileira, mas a busca por acordos extrarregionais tem ganhado força, refletindo uma visão de maior abertura e integração global. A concretização desses tratados sinaliza um amadurecimento da diplomacia econômica brasileira e do próprio bloco sul-americano em sua capacidade de negociar e implementar parcerias de grande envergadura.
Expansão para o mercado europeu com a EFTA
O acordo entre Mercosul e EFTA, assinado no Rio de Janeiro em setembro de 2025, congrega quatro nações europeias de alto poder aquisitivo: Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. Juntos, o Mercosul e a EFTA formam um mercado com mais de 280 milhões de consumidores, representando um potencial significativo para as exportações brasileiras.
Com a entrada em vigor deste tratado, estima-se que cerca de 99% do valor das exportações brasileiras para os países da EFTA terão acesso preferencial, ou seja, com tarifas reduzidas ou eliminadas. Em 2025, o intercâmbio comercial entre o Brasil e o bloco da EFTA atingiu US$ 7,8 bilhões, com as exportações brasileiras somando US$ 3,8 bilhões, um aumento de 22,9% em relação ao ano anterior. Este crescimento é um indicativo do potencial ainda maior que se espera com a plena implementação do acordo.
O tratado prevê a eliminação de tarifas para praticamente todos os produtos industriais e pesqueiros, o que beneficia setores importantes da indústria brasileira. Além disso, abre cotas para produtos agropecuários estratégicos, como carnes, milho, mel e óleos vegetais, fortalecendo o agronegócio nacional em um mercado exigente e de alto valor agregado. Mais detalhes sobre a assinatura do acordo podem ser encontrados em Agência Brasil.
Conquistando o acesso asiático via Singapura
O acordo com Singapura, assinado em dezembro de 2023 durante a 63ª Cúpula do Mercosul, é um marco histórico por ser o primeiro tratado de livre comércio firmado pelo bloco sul-americano com um país do Sudeste Asiático. A entrada em vigor deste tratado para o Brasil está prevista para 1º de agosto, garantindo tarifa zero para 100% das exportações brasileiras destinadas à cidade-estado asiática.
Singapura é um hub comercial e financeiro global, servindo como porta de entrada para toda a região do Sudeste Asiático, um mercado em franca expansão. Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Singapura alcançou US$ 10,7 bilhões. As exportações brasileiras para Singapura totalizaram US$ 7,4 bilhões, gerando um superávit comercial de US$ 4,1 bilhões para o Brasil. Entre os principais produtos vendidos estão óleos combustíveis, máquinas e carnes bovina, suína e de aves.
Além da redução de tarifas, o acordo com Singapura é abrangente, ampliando o acesso ao mercado de serviços, incentivando investimentos e incluindo um capítulo específico sobre comércio eletrônico. Este último é o primeiro negociado pelo Mercosul com um parceiro extrarregional, demonstrando a modernidade e a visão de futuro do tratado, adaptado às dinâmicas do comércio global digital.
Impacto estratégico e projeções futuras
Ambos os acordos, com a EFTA e com Singapura, foram aprovados e promulgados pelo Congresso Nacional em junho, refletindo um consenso político sobre a importância da abertura comercial. Segundo o governo brasileiro, a entrada em vigor desses acordos, somada ao tratado com a União Europeia (ainda em processo de ratificação), fará com que a parcela da corrente de comércio brasileira beneficiada por preferências tarifárias salte de 12% para 31,2%. Esse aumento substancial representa uma mudança de paradigma na inserção econômica do Brasil.
Em paralelo a essas conquistas, o MDIC demonstrou proatividade ao abrir, em 2 de julho, uma consulta pública sobre um eventual acordo de livre comércio entre Mercosul e Japão. As contribuições podem ser enviadas até 15 de agosto pela plataforma Brasil Participativo, e servirão de base para a posição brasileira nas futuras negociações. A iniciativa visa identificar oportunidades, prioridades e sensibilidades dos setores produtivos antes do início das conversações formais.
Mercosul e Japão representam um mercado combinado de aproximadamente 400 milhões de habitantes, com um Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de US$ 7 trilhões, e movimentaram US$ 11,5 bilhões em comércio em 2025. A busca por um acordo com o Japão reforça a ambição do Brasil e do Mercosul em expandir sua rede de parcerias estratégicas para as principais economias do mundo, consolidando uma política externa ativa e voltada para o desenvolvimento econômico.
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