Durante a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, realizada nesta terça-feira (30) em Assunção, no Paraguai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a abertura de negociações comerciais entre o bloco sul-americano e a China. O posicionamento busca ampliar a inserção dos países membros nos mercados globais mais dinâmicos, em um momento de fragmentação econômica mundial.
O encontro, que marcou a transição da presidência pro tempore do Paraguai para o Uruguai, também serviu como palco para o anúncio de novos passos na agenda externa do bloco. Além da intenção de dialogar com Pequim, o governo brasileiro confirmou o início das tratativas para uma parceria econômica com o Japão, somando-se às negociações já em curso com Canadá, Índia e Vietnã.
Integração regional e crítica ao alinhamento automático
Em seu discurso, Lula reforçou a necessidade de autonomia estratégica para os países da América do Sul. O presidente brasileiro criticou o que classificou como “alinhamento automático” e “escolhas excludentes”, defendendo que o projeto de integração regional deve prevalecer sobre divergências ideológicas. “Ninguém é dono do mundo. E ninguém é dono da América do Sul”, afirmou o mandatário.
A cúpula foi marcada pela ausência do presidente argentino, Javier Milei, que cancelou sua participação de última hora. O governo argentino atravessa um momento de instabilidade interna após a renúncia do chefe de gabinete da Casa Rosada, Manuel Adorni, em meio a denúncias de corrupção. O evento contou com a presença de líderes do Chile, Paraguai, Uruguai, Equador e Bolívia, reforçando o papel do Mercosul como espaço institucional em uma região polarizada.
Investimentos no Fundo para Convergência Estrutural
Um dos temas centrais do encontro foi a modernização do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem). O Brasil anunciou o compromisso de destinar US$ 100 milhões anuais ao longo de uma década para o novo fundo, visando reduzir assimetrias entre os países membros. O mecanismo, criado em 2004, tem sido fundamental para o desenvolvimento de infraestrutura, incluindo a construção de rodovias, ferrovias e redes de saneamento básico.
O apoio brasileiro ao Focem 2 busca não apenas fortalecer a conectividade física entre as nações, mas também integrar novos membros, como a Bolívia, ao sistema de cooperação. O Paraguai, por sua vez, tem pressionado por um aumento significativo nos aportes em comparação ao modelo anterior, buscando acelerar investimentos em áreas estratégicas para o crescimento econômico regional.
Segurança pública e cooperação transnacional
Além da pauta econômica, o Brasil apresentou propostas voltadas à segurança regional. Entre elas, destaca-se um pacto de combate ao feminicídio e à violência contra a mulher. O governo brasileiro também anunciou o custeio, por um ano, de um escritório regional da Interpol em Buenos Aires, focado no combate ao crime organizado e ao tráfico internacional de drogas, com a presença de delegados de 12 países da região.
O bloco também celebrou avanços na facilitação de trânsito entre cidadãos, com o reconhecimento da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) como documento válido em todos os países membros e associados. Com 73% do território sul-americano e cerca de 70% do PIB da região, o Mercosul reafirma sua posição como pilar de estabilidade e desenvolvimento estratégico. Para acompanhar os desdobramentos dessas negociações e outros temas relevantes da política internacional, continue lendo o Fato Paulista, seu portal de referência em informação qualificada e atualizada.




