Operários apontam falhas de segurança em reforma do Hospital do Servidor Público em SP

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Trabalhadores denunciam riscos em obras do Hospital do Servidor Público Municipal em SP. Entenda as falhas de segurança e a resposta da prefeitura.
© Prefeitura de São Paulo
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Denúncias apontam falhas graves na segurança das obras

O Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM), localizado na capital paulista, tornou-se palco de um embate entre a administração e os profissionais de saúde. Trabalhadores da unidade denunciam que as reformas em curso nas instalações estão sendo executadas sem as proteções necessárias, colocando em risco a integridade de pacientes e funcionários. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Município de São Paulo (Sindsep), o isolamento de áreas críticas, como o centro cirúrgico, tem sido feito de forma precária, utilizando apenas plástico preto e fita crepe.

A insatisfação da categoria reside na falta de um planejamento que considere o fluxo assistencial em um ambiente hospitalar. O sindicato afirma que, há meses, o hospital opera como um canteiro de obras sem que houvesse um diálogo prévio ou a pactuação de um cronograma que garantisse a segurança dos usuários. A entidade ressalta que intervenções dessa natureza exigem rigor técnico para evitar a contaminação de áreas estéreis e o comprometimento do atendimento médico.

Riscos de contaminação e poeira hospitalar

Um dos pontos mais críticos levantados pela representação sindical é a dispersão de resíduos gerados pelas obras. O pó fino resultante de cortes e demolições pode carregar esporos de Aspergillus, um fungo comum no ambiente que, em pacientes imunocomprometidos, pode causar aspergilose, uma infecção respiratória grave com potencial de levar ao óbito. Flávia Anunciação, secretária de Trabalhadores da Saúde do Sindsep, alerta que a ausência de barreiras herméticas e de sistemas de controle de poeira — como o uso de serras com refrigeração a água — expõe pacientes internados, inclusive em UTIs pediátricas, a riscos evitáveis.

Além da contaminação biológica, o ruído excessivo e a falta de contenção de resíduos são apontados como falhas recorrentes. A comparação com o setor privado é inevitável para os profissionais, que argumentam que, sob as mesmas condições de execução, unidades de saúde particulares seriam interditadas pelos órgãos de controle. A preocupação é que o ritmo das obras, realizado de forma simultânea em diversas áreas, desconsidere a complexidade de um ambiente hospitalar em pleno funcionamento.

Histórico de problemas e normas técnicas

Esta não é a primeira vez que a infraestrutura do HSPM é alvo de críticas. Em abril, o Sindsep registrou um alagamento no terceiro andar da unidade, que resultou na paralisação de quatro dos sete elevadores e forçou servidores a atuarem na remoção de água enquanto pacientes eram transportados entre áreas afetadas. O episódio reforçou as cobranças por uma gestão mais rigorosa das intervenções prediais, que devem seguir normas como a RDC 50/2002, da Anvisa, e a NBR-7256, da ABNT, que estabelecem requisitos rígidos para o planejamento físico em serviços de saúde.

Em resposta, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) afirmou que o hospital passa por um processo de modernização e que as obras são acompanhadas pelas equipes de Engenharia, Segurança do Trabalho e Controle de Infecção Hospitalar. Por sua vez, o Centro de Vigilância Sanitária (CVS) do Estado de São Paulo confirmou ter realizado uma vistoria no local. O órgão informou que, embora tenha identificado medidas de mitigação, emitiu novas recomendações para reforçar o isolamento das áreas, a sinalização de segurança e o controle de poeira, sugerindo ainda o acompanhamento pelo Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST).

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