Desconhecimento sobre regulação de preços
Uma pesquisa recente realizada pelo Procon-SP revelou um cenário preocupante sobre o comportamento dos brasileiros na hora de adquirir medicamentos. O levantamento, que ouviu 1.819 consumidores, apontou que 79,1% deles desconhecem a existência de um teto máximo de preço definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Esse valor, conhecido como Preço Máximo ao Consumidor (PMC), é divulgado pela Anvisa justamente para proteger o cidadão de cobranças abusivas.
O dado é relevante, pois o custo dos fármacos impacta diretamente o orçamento doméstico. Entre os entrevistados que realizam compras de medicamentos, 88,10% admitiram já ter desistido de adquirir um produto devido ao valor elevado. A busca por economia tornou-se uma prática comum, com 94,93% dos participantes afirmando que realizam pesquisas de preços antes de finalizar a compra em farmácias e drogarias.
Troca de prescrições por opções econômicas
A pressão financeira tem alterado a fidelidade às receitas médicas. Segundo o estudo, apenas 31,73% dos consumidores compram exatamente o produto prescrito pelo profissional de saúde. Em contrapartida, 50,20% admitem trocar o medicamento indicado por versões genéricas ou alternativas mais baratas, evidenciando que o fator preço muitas vezes supera a recomendação original da prescrição.
Para medicamentos que não exigem receita, o critério de escolha é baseado principalmente na experiência anterior do próprio usuário, citado por 34,20% dos entrevistados. A recomendação do farmacêutico aparece logo em seguida, com 27,18%. Esses números reforçam a importância de uma orientação técnica qualificada no ponto de venda, capaz de equilibrar a necessidade de tratamento com a realidade financeira do paciente.
Privacidade de dados e o uso do CPF
Além da questão financeira, a pesquisa trouxe à tona a fragilidade na proteção de dados pessoais. Atualmente, 71,20% dos consumidores fornecem o CPF no momento da compra para obter descontos. No entanto, a transparência sobre o destino dessas informações é baixa: 54,29% dos entrevistados afirmam não saber como seus dados são tratados pelas redes de farmácias.
O Procon-SP alerta que as empresas devem ser claras sobre o compartilhamento de informações com laboratórios, convênios ou redes hospitalares. O consumidor tem o direito de saber se há monetização sobre seus dados, conforme as diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A transparência no relacionamento com o cliente não é apenas uma obrigação legal, mas um fator estratégico para a construção de confiança e fidelização no mercado.
Mudanças no comportamento de consumo
Comparando com o ano anterior, o levantamento mostra que o desconhecimento sobre o teto de preços subiu de 74,82% para 79,13%. Além disso, a percepção de que a publicidade induz à automedicação também cresceu, atingindo 70,35% dos entrevistados. Outro ponto de destaque é a diversificação dos canais de compra: a preferência exclusiva por grandes redes físicas caiu de 51,91% para 43,17%, enquanto o uso híbrido (físico e online) avançou para 39,40%.
Para mais informações sobre direitos do consumidor e orientações sobre o mercado, acesse o portal oficial do Procon-SP. Continue acompanhando o Fato Paulista para se manter atualizado sobre temas que impactam o seu cotidiano, a economia e as políticas públicas que regem o estado de São Paulo.



