Futebol para todes: projeto em Brasília promove inclusão e bem-estar para pessoas trans

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Projeto de futebol trans em Brasília oferece espaço de inclusão, saúde mental e união para a comunidade LGBTQIA+, combatendo a exclusão.
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Em um cenário onde a segregação de gênero no esporte ainda é uma realidade, um projeto inovador em Brasília tem se destacado por oferecer um espaço de acolhimento e celebração para a comunidade trans. O Instituto Menines Bons de Bola reúne pessoas trans masculinas e femininas para a prática do futebol em espaços públicos do Distrito Federal, transformando o esporte em uma ferramenta poderosa de inclusão, saúde mental e união.

A iniciativa surge da experiência pessoal de Loeh da Silva Araújo, um educador físico de 32 anos e homem trans. Ele relembra a frustração de ouvir a divisão “Meninas de um lado. Meninos de outro” durante sua formação, uma prática que o excluía e o fazia questionar seu lugar no esporte. Hoje, Loeh canaliza essa vivência para construir um ambiente onde a diversidade é celebrada e a exclusão é combatida, um verdadeiro “golaço” dentro e fora das quatro linhas.

Futebol trans: mais que esporte, um espaço de pertencimento

O projeto, que já conta com 150 pessoas inscritas, vai muito além da atividade física. Loeh da Silva Araújo enfatiza que os encontros, realizados às quintas e domingos, são momentos de profunda conexão. “É muito mais do que futebol. Conversamos, nos unimos, cuidamos da nossa saúde mental, nos conhecemos e não nos sentimos mais solitários”, afirma o professor.

Essa dimensão social e de apoio mútuo é crucial para a comunidade trans, que frequentemente enfrenta hostilidades e processos de exclusão em diversos âmbitos da vida. A prática esportiva em um ambiente seguro e acolhedor torna-se um refúgio, um local onde a identidade é respeitada e a vulnerabilidade pode ser compartilhada sem medo de julgamento.

Combate à exclusão e apoio à saúde mental

A exclusão de pessoas trans de práticas esportivas tradicionais é um problema amplamente reconhecido. Ceu Otaviano, de 37 anos, coordenador do núcleo trans do grupo ativista Estruturação, ressalta a importância de iniciativas como o Instituto Menines Bons de Bola. “O projeto do futebol ajuda na saúde mental de muitas pessoas”, destaca, evidenciando o impacto positivo na qualidade de vida dos participantes.

As histórias de Mayura Kali, lojista de 24 anos, e Lilith Lunar, autônoma de 25 anos que trabalha como artesã e bartender, ilustram bem essa realidade. Ambas encontram no futebol um alívio para a rotina e um espaço para conversas que não teriam em seus ambientes de trabalho. “Quando chego no futebol, tudo fica melhor. Já me destaquei no gol. Agora sou atacante. No futebol, posso ter conversas que não tenho no trabalho”, relata Mayura. Lilith complementa: “Esses encontros que nos proporcionamos nos fortalecem para o dia a dia da vida da gente, que é tão difícil”.

Superando traumas: quadras e vestiários como espaços seguros

A experiência de exclusão no esporte não é novidade para muitos participantes do projeto. Loeh lamenta o retorno que recebe de que muitos não gostavam das aulas de educação física na escola, pois quadras e vestiários eram frequentemente associados a espaços de violência, bullying e até agressões físicas. Essa memória traumática é um dos motivos pelos quais a criação de ambientes seguros é tão vital.

“Precisamos escolher os espaços que frequentamos para que sejam de construção e que a gente possa se blindar das violências”, reforça Loeh. No Instituto Menines Bons de Bola, regras claras são estabelecidas para garantir o respeito mútuo: “Piadinhas ou apelidos não autorizados são proibidos na nossa atividade”. Essa abordagem proativa cria um ambiente onde todos se sentem à vontade para serem quem são, sem receios.

Celebração do orgulho e a luta por visibilidade

O projeto ganhou ainda mais visibilidade durante a celebração do Dia do Orgulho LGBTQIA+ em Brasília, no domingo, 28 de junho de 2026. Loeh da Silva Araújo aproveitou a ocasião para reforçar o pedido por mais reconhecimento e apoio à iniciativa. A data, que marca a Rebelião de Stonewall em 1969 e simboliza a luta por direitos e respeito, serve como um lembrete da importância de espaços como o Instituto Menines Bons de Bola.

Para o professor, o projeto é uma demonstração de que a população trans tem o direito de viver plenamente e se divertir. “Não é só estar vivo. Além de uma época de luta, é tempo de comemoração também”, pontua. A presença de Daymon Luiz, de 27 anos, pai de uma menina de três anos, que leva a filha tanto para os jogos quanto para os “atos” de celebração, exemplifica a construção de um futuro mais inclusivo para as próximas gerações, especialmente para sua filha, uma menina preta.

A visibilidade e a representação são pilares fundamentais para a comunidade LGBTQIA+, e o futebol se mostra um campo fértil para essa construção. Projetos como o Instituto Menines Bons de Bola não apenas promovem a saúde física, mas também fortalecem a identidade, a autoestima e o senso de comunidade, elementos essenciais para a resiliência diante dos desafios diários. Para mais informações sobre iniciativas de inclusão e direitos humanos, acesse Agência Brasil.

O Fato Paulista segue acompanhando de perto as iniciativas que promovem a inclusão e o bem-estar em nossa sociedade. Para se manter informado sobre este e outros temas relevantes, com análises aprofundadas e contexto jornalístico, continue navegando em nosso portal. Nosso compromisso é com a informação de qualidade, que faz a diferença na vida do leitor.

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