A nova perspectiva sobre o maior bioma do mundo
Quando pensamos na Amazônia, é comum que a mente se volte imediatamente para a vastidão de seus 4 milhões de quilômetros quadrados ou para o volume colossal de água de seus rios. No entanto, uma nova exposição no Museu de Zoologia da USP, intitulada Amazônia: Descobertas, propõe uma mudança radical de foco. Aberta ao público desde o dia 3 de junho, a mostra convida os visitantes a compreenderem a magnitude do bioma por meio de seus habitantes mais discretos: os pequenos animais.
A exposição, que permanece em cartaz até maio de 2027, inverte a lógica tradicional ao colocar besouros, insetos, anfíbios e aves de pequeno porte no centro das atenções. Segundo o diretor do museu, Luís Fábio Silveira, a iniciativa nasceu da necessidade de traduzir a complexidade da floresta para o público geral, especialmente em um contexto de debates globais sobre o clima, como a COP30. A ideia é demonstrar que a megabiodiversidade amazônica é sustentada por interações invisíveis a olho nu.
Ciência, acessibilidade e inclusão
Mais do que uma simples exibição de espécimes, o projeto foi desenhado para ser um espaço de aprendizado inclusivo. A curadoria, liderada por Maria Isabel Landim, chefe da Divisão de Difusão Cultural, priorizou a acessibilidade física e sensorial. Os itens estão dispostos em alturas que facilitam o acesso de crianças e pessoas em cadeiras de rodas, enquanto placas em braile e atividades táteis permitem que visitantes com deficiência visual explorem as texturas e formas dos animais.
O museu, que abriga uma coleção impressionante de mais de 12 milhões de animais, reafirma seu papel como um refúgio seguro de informação em tempos de desinformação. “As narrativas falsas servem mais para confundir e amedrontar as pessoas do que para informá-las”, destaca Silveira. Com uma média de 2 mil visitantes diários, a instituição mantém a entrada gratuita para democratizar o acesso ao conhecimento científico.
Interação e a escolha de um novo nome
Um dos pontos altos da mostra é a apresentação de uma nova espécie de besouro-de-correnteza, descoberta em parceria entre o pós-doutorando Thiago Polizei e a pesquisadora Neusa Hamada, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). O inseto, pertencente à família Elmidae, habita riachos e igarapés e mede apenas alguns milímetros, reforçando a tese de que a grandiosidade da floresta reside nos detalhes.
Os visitantes são convidados a participar ativamente da ciência através da atividade Por trás dos nomes, onde podem votar na nomenclatura da nova espécie. As opções em disputa — Heterelmis iacamiabas, Heterelmis waimiriatroari e Heterelmis kinja — homenageiam a cultura e os povos da região. Além disso, o museu disponibiliza um espaço de “rede social analógica”, onde o público deixa suas impressões em post-its, incentivando o diálogo multidisciplinar sobre o bioma.
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