Consumo de energia no Brasil oscila conforme jogos da seleção na Copa do Mundo

PUBLICIDADE
Jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo causam quedas e picos no consumo de energia. ONS monitora oscilações em tempo real no sistema nacional.
© REUTERS/Paul Childs/Proibida reprodução
PUBLICIDADE

A paixão nacional pelo futebol vai muito além das arquibancadas e das telas de televisão. Durante a Copa do Mundo de 2026, o comportamento coletivo dos brasileiros tem provocado impactos diretos e mensuráveis no Sistema Interligado Nacional (SIN). O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tem monitorado, em tempo real, como a mobilização da torcida durante as partidas da seleção brasileira gera quedas e picos bruscos no consumo de energia elétrica em todo o país.

energia: cenário e impactos

O impacto da bola rolando na rede elétrica

O fenômeno ficou evidente na última quarta-feira (24), durante o confronto entre Brasil e Escócia, realizado no Hard Rock Stadium, em Miami. Às 19h, momento em que a bola começou a rolar, a demanda nacional era de cerca de 90 mil megawatts (MW). Apenas até o final do primeiro tempo, às 19h53, o consumo registrou uma queda expressiva de 9.058 MW. Para se ter uma dimensão do volume, essa redução equivale à soma das cargas médias dos estados do Rio de Janeiro e do Pará.

O comportamento segue um padrão claro: momentos antes do apito inicial, o ONS já observa uma antecipação dessa queda. No dia do jogo contra a Escócia, por exemplo, a carga caiu 7 mil MW entre as 18h25 e o início da partida, um volume comparável ao consumo médio de Minas Gerais. O painel de monitoramento do ONS detalha como o país praticamente para para acompanhar o desempenho dos atletas em campo.

Rampas de carga e o comportamento do torcedor

O intervalo das partidas é o momento em que a rede elétrica sente o maior impacto de retomada. Com o encerramento do primeiro tempo, o consumo disparou 5,6 mil MW em apenas nove minutos, um valor que representa a soma das cargas médias de Santa Catarina e Mato Grosso. Segundo o ONS, essa rampa de elevação foi a maior registrada em intervalos de jogos do Brasil nas últimas três edições da Copa do Mundo.

Após o intervalo, a demanda volta a despencar com o reinício da disputa, atingindo o ponto mais baixo (78.236 MW) às 20h59, pouco antes do apito final. Com a confirmação da classificação da seleção como líder do grupo C, o consumo voltou a subir rapidamente, registrando um incremento de 8.546 MW em cerca de 18 minutos, volume equivalente à carga média do Paraná e da Bahia.

Planejamento e segurança do sistema

O monitoramento dessas oscilações não é apenas uma curiosidade estatística, mas uma necessidade técnica. O ONS, órgão responsável pela coordenação da geração e transmissão de energia, utiliza esses dados para ajustar a operação em tempo real, garantindo que o sistema suporte as variações repentinas sem riscos de instabilidade. O diretor-geral do órgão, Marcio Rea, destaca que a operação precisa ser ágil para responder a comportamentos que vão desde o uso doméstico até grandes festas de rua.

O planejamento é fundamental para manter a estabilidade do SIN, que possui dimensões continentais. Com a seleção brasileira avançando na competição, a atenção do setor elétrico permanece redobrada para os próximos desafios. O Brasil volta a campo na próxima segunda-feira, às 14h, para enfrentar o Japão em Houston, e o ONS já prepara a estratégia para lidar com as novas variações de carga que o evento certamente trará.

O Fato Paulista segue acompanhando os desdobramentos da Copa do Mundo e o impacto dos grandes eventos no cotidiano do país. Continue conosco para se manter informado com notícias precisas, análises contextuais e o compromisso com a informação de qualidade que você já conhece.

PUBLICIDADE

Deixe um Comentário