A ofensiva jurídica da AGU na Itália
A Advocacia-Geral da União (AGU) intensificou nesta quinta-feira (25) os esforços para trazer de volta ao Brasil a ex-deputada Carla Zambelli. O órgão enviou uma nova manifestação formal à Corte de Cassação, na Itália, instância máxima do Judiciário local, reiterando o pedido de extradição da ex-parlamentar, que atualmente reside em território italiano.
No documento, o governo brasileiro reafirma o compromisso com os tratados internacionais de cooperação jurídica firmados entre o Brasil e a Itália. A medida busca superar os entraves diplomáticos e judiciais que têm marcado o processo, garantindo que a aplicação da lei penal brasileira seja respeitada conforme as normas internacionais vigentes.
Contexto da perseguição armada
O pedido de extradição está diretamente ligado a uma condenação definitiva proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em agosto de 2025, o plenário da Corte sentenciou Carla Zambelli a cinco anos e três meses de reclusão pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com o uso de armamento.
O episódio que motivou a condenação ocorreu em outubro de 2022, véspera do segundo turno das eleições presidenciais. Na ocasião, a ex-deputada foi flagrada perseguindo o jornalista Luan Araújo pelas ruas do bairro dos Jardins, em São Paulo. O incidente, que envolveu o saque de uma arma em via pública após uma troca de provocações, gerou grande repercussão nacional e tornou-se um dos casos emblemáticos de violência política no país.
Histórico de condenações e impasses
A situação jurídica da ex-deputada é complexa e envolve mais de um processo. Além da condenação por perseguição armada, Zambelli foi sentenciada pela Primeira Turma do STF a 10 anos de prisão devido à invasão do sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ocorrida em 2023. A defesa da ex-parlamentar tem buscado recursos em diversas instâncias para evitar o cumprimento das penas.
A estratégia de fuga para a Itália, país onde possui dupla cidadania, tem sido o principal obstáculo para a execução das sentenças. No mês passado, a Justiça italiana chegou a negar um pedido de extradição referente ao caso do CNJ, o que resultou na libertação temporária da ex-deputada. O governo brasileiro, contudo, mantém a ofensiva, argumentando que a imparcialidade do Judiciário brasileiro é plena e que os crimes cometidos são graves o suficiente para justificar a cooperação internacional.
Repercussão e próximos passos
O cenário jurídico permanece em aberto. Ministros do STF, como Gilmar Mendes, têm se manifestado publicamente a favor da extradição, defendendo a necessidade de que as decisões da corte brasileira sejam cumpridas integralmente. A expectativa é que o tribunal italiano analise o novo pleito nas próximas semanas, considerando os argumentos apresentados pela AGU.
O Fato Paulista segue acompanhando o desdobramento deste caso, que envolve questões sensíveis de soberania, cooperação internacional e o combate à violência política. Para se manter informado sobre as atualizações deste e de outros temas relevantes da política nacional, continue acompanhando nossa cobertura diária, pautada pela transparência e pelo compromisso com a notícia de qualidade.
Para mais detalhes sobre os tratados de cooperação, consulte a página oficial da Advocacia-Geral da União.




