Avanço na proteção da biodiversidade paulista
O Governo de São Paulo oficializou o resultado final do edital de chamamento público voltado ao Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) Araucária. A iniciativa, que busca conciliar a preservação ambiental com o desenvolvimento econômico de comunidades rurais, teve como foco inicial o município de Cunha, reconhecido como o maior produtor de pinhão do estado. O projeto representa um marco na estratégia estadual de valorização da Mata Atlântica e proteção de espécies ameaçadas.
Após a conclusão das etapas de análise documental, a Fundação Florestal, órgão vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), confirmou a adesão expressiva de produtores e organizações. O processo registrou 61 inscrições na categoria de produtores rurais e três propostas de organizações, consolidando o interesse local em práticas de manejo sustentável que garantem a sobrevivência do pinheiro-brasileiro.
Critérios de habilitação e seleção técnica
A seleção passou por um rigoroso crivo técnico para garantir a transparência e a eficácia dos recursos públicos. Ao todo, 50 produtores rurais foram considerados elegíveis e habilitados, enquanto duas organizações foram selecionadas para conduzir ações de fomento à cadeia produtiva. O resultado detalhado da homologação está disponível para consulta pública através do portal oficial da Fundação Florestal.
Os proponentes classificados enfrentaram critérios rígidos de conformidade. Aqueles que apresentaram pendências pontuais, como a comprovação bancária, possuem prazo para regularização antes da assinatura dos contratos. Por outro lado, os indeferimentos ocorreram devido a fatores como ausência de documentos essenciais, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), restrições em órgãos de controle ou a existência de infrações ambientais registradas nas propriedades.
Bioeconomia como estratégia de preservação
A araucária enfrenta um cenário crítico, com projeções de perda de habitat até 2070 devido às mudanças climáticas e à exploração predatória. O PSA Araucária propõe uma solução baseada na bioeconomia: em vez do corte da madeira, o incentivo financeiro foca na coleta sustentável do pinhão e no plantio de novas mudas. Com pagamentos que podem chegar a R$ 36 mil por produtor e até R$ 250 mil para organizações, o programa transforma a árvore em um ativo econômico vivo.
Cunha, que concentra mais de 95% da coleta de pinhão em território paulista, é o cenário ideal para este projeto-piloto. Dados da Semil indicam que, entre 2023 e 2025, foram colhidas mais de 1.100 toneladas de sementes na região. A secretária Natália Resende destacou que a política pública valida a parceria com comunidades tradicionais, provando que é possível alinhar justiça climática e geração de renda real no campo.
Estrutura do programa Pró Araucária
O edital é um dos pilares do programa Pró Araucária, lançado em 2025 para organizar a conservação em seis eixos estratégicos. Além da restauração ecológica, o plano abrange a certificação de produtos, o fortalecimento da identidade territorial e a capacitação técnica para o manejo florestal. A iniciativa complementa medidas anteriores, como a flexibilização do calendário de coleta do pinhão, que permitiu aos produtores paulistas maior competitividade e organização produtiva.
Com esta nova etapa, São Paulo reafirma sua posição de liderança nacional em pagamentos por serviços ambientais. Atualmente, o estado opera 61 grupos de PSA, beneficiando cerca de 1,4 mil famílias. Programas como o PSA Mar Sem Lixo e o PSA Juçara servem de base para que o modelo de conservação da araucária se torne, em breve, uma referência de sucesso para outras regiões do país.
O Fato Paulista segue acompanhando os desdobramentos das políticas de preservação ambiental e o impacto socioeconômico dessas iniciativas no interior do estado. Continue acompanhando nosso portal para se manter informado sobre os projetos que moldam o futuro sustentável de São Paulo e do Brasil.




