Santarém sedia abertura da 28ª edição do festival Sonora Brasil

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Santarém recebe a abertura da 28ª edição do Sonora Brasil. Festival foca em música afro e indígena com 130 apresentações em 15 estados brasileiros.
© Derso Oliveira/Divulgação
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Um palco para a diversidade cultural brasileira

A cidade de Santarém, no Pará, torna-se o epicentro da música nacional nos dias 19 e 20 de junho. O município foi o local escolhido para a abertura oficial da 28ª edição do Sonora Brasil, um dos projetos de circulação cultural mais longevos e respeitados do país. Sob o tema “Reverberações Afro e Indígenas”, a iniciativa do Sesc propõe uma imersão nas raízes que formam a identidade brasileira, levando shows inéditos a 42 cidades espalhadas por 15 estados brasileiros.

A programação em Santarém reflete a força dessa proposta. Na sexta-feira (19), o público poderá conferir as apresentações de Gean Ramos Pankararu e do grupo Suraras do Tapajós. Já no sábado (20), a Praça Tiradentes será o cenário para os shows de Nderé Oblé e Cabokaji. Ao longo de todo o ano, o festival promete um itinerário intenso, somando 130 apresentações e 30 ações formativas que buscam democratizar o acesso à cultura e fomentar a formação de novos ouvintes em diversas regiões.

Resistência e protagonismo feminino no carimbó

Entre as atrações, o grupo Suraras do Tapajós carrega um simbolismo profundo. O nome, derivado do nheengatu, significa “guerreira” ou “guerreiro” e funciona como um grito de resistência. Formado integralmente por mulheres indígenas, o grupo subverte a lógica tradicional do carimbó, gênero historicamente dominado por homens, onde as mulheres ocupavam apenas o papel de dançarinas. Ao assumirem os instrumentos e a voz, elas ocupam o centro da cena cultural, transformando a música em ferramenta de defesa territorial e política.

Para integrantes como Marina Arapiun, a música não é apenas arte, mas um ato de enfrentamento. O grupo surgiu em meio a mobilizações sociais e utiliza o carimbó para fortalecer a identidade indígena, servindo como um contraponto necessário à dureza da luta diária pela preservação dos territórios. A presença das Suraras em palcos nacionais é uma vitória contra paradigmas, abrindo caminho para que outros coletivos de mulheres indígenas ganhem visibilidade e voz no cenário musical contemporâneo.

Conexões entre ancestralidade e contemporaneidade

O festival Sonora Brasil, criado em 1998, mantém sua relevância ao se adaptar aos novos contextos da cultura nacional. Segundo Leonardo Minervini, gerente interino de Cultura do Departamento Nacional do Sesc, o objetivo central é fazer com que o público reconheça a riqueza e a diversidade de suas próprias raízes. A curadoria desta edição busca justamente esse diálogo entre o passado ancestral e as linguagens modernas, como é o caso do grupo Cabokaji, da Bahia, que funde referências indígenas e afro-brasileiras com elementos eletrônicos.

Outros nomes como Gean Ramos Pankararu e o coletivo Nderé Oblé reforçam essa ponte entre diferentes territórios e vivências. Enquanto Pankararu conecta as heranças indígena e negra, o Nderé Oblé expande as fronteiras ao unir artistas do Rio Grande do Sul, Distrito Federal e Costa do Marfim. Essa troca de saberes, que vai além das apresentações musicais, é o que garante a vitalidade do projeto, transformando cada cidade visitada em um espaço de reflexão sobre reparação histórica e ambiental.

O Fato Paulista segue acompanhando os desdobramentos desta turnê nacional e o impacto das ações culturais do Sesc em todo o território brasileiro. Para se manter informado sobre os principais eventos culturais, políticos e sociais que moldam o nosso país, continue acompanhando nossas atualizações diárias. Nosso compromisso é levar até você uma cobertura jornalística séria, aprofundada e conectada com a realidade que nos cerca.

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