Estados Unidos intensificam sanções contra Cuba e miram presidente e setores chave da economia

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Novas sanções dos EUA atingem presidente de Cuba, empresas de mineração e turismo, aprofundando o bloqueio econômico histórico.
© afroangelll/Pixabay
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Os Estados Unidos anunciaram uma nova rodada de sanções econômicas contra Cuba, desta vez mirando diretamente o presidente Miguel Díaz-Canel, membros de sua família, figuras ligadas ao governo e setores estratégicos da economia cubana, como mineração e turismo. As medidas, divulgadas pelo Departamento do Tesouro dos EUA, representam mais um capítulo na longa história de pressão econômica sobre a ilha, com o objetivo declarado de forçar uma mudança de regime em Havana.

Essa escalada se soma a centenas de outras restrições impostas ao longo das décadas, que buscam asfixiar financeiramente o país caribenho. A administração norte-americana tem reforçado sua postura de endurecimento contra Cuba, argumentando que o governo cubano não atende aos seus critérios de governança e direitos humanos, enquanto Havana denuncia as sanções como uma intervenção ilegal e prejudicial ao seu povo.

Sanções a Cuba: Escalada da pressão e alvos estratégicos

Na última quinta-feira, 4 de junho, o Departamento do Tesouro dos EUA incluiu na lista de entidades sancionadas a Amistur Cuba, uma importante empresa do setor de turismo da ilha, e a Minera la Victoria. Esta última é uma joint venture formada pela empresa de mineração de ouro cubana Geominera em parceria com a australiana Antilles Gold, evidenciando a intenção de atingir fontes de receita cruciais para o país.

Além das empresas, as sanções se estenderam a indivíduos. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, sua esposa, Lis Cuesta Peraza, e seu filho, Manuel Anido Custa, foram pessoalmente alvos. A lista também incluiu outros funcionários e figuras proeminentes ligadas ao governo de Havana, como Alejandro Castro Espin e Raul Alejandro Castro Calis, filho e neto do ex-presidente Raúl Castro, respectivamente.

Instituições-chave do Estado cubano também foram designadas. O Ministério das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba (MINFAR), o Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP) e os Comitês para Defesa da Revolução (CDR) foram incluídos na lista. O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA deixou claro que “todas as transações e negociações realizadas por pessoas dos EUA ou pessoas dentro (ou em trânsito) pelos Estados Unidos que envolvam quaisquer bens ou interesses em bens de pessoas designadas ou bloqueadas são proibidas”, conforme nota oficial.

A retórica de Washington e a justificativa das medidas

No mesmo dia das sanções, o então presidente dos EUA, Donald Trump, fez declarações que indicavam uma visão de tutela sobre a ilha. “Vamos cuidar de Cuba depois de terminar com o Irã, talvez seja possível investir lá”, afirmou Trump a jornalistas, sugerindo uma intervenção futura na gestão do país caribenho.

O secretário de Estado, Marco Rubio, reforçou a posição americana em comunicado nas redes sociais. Ele alertou que qualquer pessoa ou entidade que forneça serviços às entidades sancionadas corre o risco de também ser alvo de sanções. “Bancos estrangeiros e outras empresas que forneçam serviços a essas entidades devem congelar essas atividades. A Administração Trump não tolerará mais regimes marxistas radicais em nosso hemisfério”, declarou Rubio, sublinhando a linha dura da política externa americana para a região.

A resposta firme de Havana e a denúncia de intervenção

A reação de Cuba às novas sanções foi imediata e enérgica. O presidente Miguel Díaz-Canel classificou as declarações de Trump como uma ameaça direta ao país e criticou as medidas unilaterais, que, segundo ele, “prejudicam o povo”. Em uma rede social, Díaz-Canel afirmou que “a agressividade e a perversão do governo ianque colidirão com nossa determinação de enfrentar os piores cenários e resistir ao ataque imperial”, demonstrando a postura de resistência de Havana.

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, também se manifestou, destacando que a inclusão de pessoas, empresas e entidades em uma “lista ilegítima” de sanções é uma prova do plano de intervenção na ilha. Rodríguez enfatizou que “toda ação dos EUA com o objetivo de criar um cenário de conflito entre os dois países está fadada ao fracasso. Toda ameaça à independência e soberania de Cuba será enfrentada com ainda mais união e determinação por parte do nosso povo”.

Rodríguez aproveitou a oportunidade para desmentir o secretário de Estado Marco Rubio, que havia afirmado que o governo Trump não bloquearia a entrada de petróleo em Cuba. O chanceler cubano lembrou a Ordem Executiva 14380, de 29 de janeiro de 2026, que, segundo ele, foi elaborada por Rubio e assinada pelo presidente, autorizando a imposição de tarifas punitivas contra importações de países que fornecem petróleo a Cuba, direta ou indiretamente. Esta refutação expõe a complexidade e as contradições na política de sanções.

O impacto do bloqueio histórico na vida cubana

O bloqueio econômico imposto a Cuba, que se estende por quase 70 anos, foi intensificado pela administração da Casa Branca no final de 2025, especialmente após as restrições navais aplicadas à Venezuela. Em janeiro de 2026, os EUA ameaçaram sancionar qualquer nação ou empresa que vendesse petróleo a Cuba, uma medida que teve consequências drásticas.

Essa política resultou em um período de três meses em que o país, com seus 11 milhões de habitantes, não recebeu uma gota de petróleo. As ramificações dessa escassez foram severas: aumento dos apagões, elevação dos preços de produtos básicos, redução drástica do transporte público e diminuição da oferta da cesta básica alimentar subsidiada pelo Estado. Para muitos moradores de Havana, consultados pela Agência Brasil, esse período representou “o pior momento” já vivido pelo país em tempos recentes, evidenciando o profundo impacto humanitário das sanções.

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