Teatro Oficina Uzyna Uzona e Viradas da Encruza fazem nova temporada de 7 Gatinhos, com sessões aos fins de semana

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Clássico de Nelson Rodrigues com direção de Joana Medeiros apresenta uma revanche do feminino, sem idealizar nenhum personagem; Jup do Bairro volta a integrar a montagem
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O espetáculo 7 Gatinhos finalmente ganha uma temporada aos fins de semana no Teatro Oficina Uzyna Uzona (Rua Jaceguai, 520 – Bixiga, São Paulo, SP), onde fica em cartaz entre o dia 20 de junho a 12 de julho de 2026, às sextas e sábados, às 20h, e, aos domingo, às 19h. O trabalho, que vem registrando temporadas lotadas desde 2024, é uma criação do grupo Viradas da Encruza y Teatro Oficina Uzyna Uzona — formado por artistas que chegaram na 5a Dentição da Universidade Antropofaga, artistas que já trabalhavam no Teatro Oficina e artistas convidados. As sessões contam com a presença da multiartista Jup do Bairro, cantora y compositora personagem do cortiço, que traz durante a peça canções como “Lave a sua Boca”, “Mulher do Fim do Mundo” e uma versão reinventada da canção de Erasmo Carlos “Sete Gatinhos”.

foto Pedro Martins

Com direção de Joana Medeiros, a peça é um clássico de Nelson Rodrigues. A trama retrata a decadência da família Noronha no subúrbio carioca. Isso porque, para manter a “pureza” e o futuro da virgem Silene, suas quatro irmãs se prostituem sem saber que o pai sabe de tudo, mas finge não se importar, desde que se mantenham as aparências.

 

Para a montagem do Viradas Encruza, a única mudança do texto diz respeito ao cenário. A ação sai do Grajaú (RJ) e é transportada para um cortiço do Bixiga (SP). E, como é típico do autor, essa simples história doméstica se torna um retrato da sociedade brasileira. “Honramos tanto o texto original que até colocamos ‘O Ponto’ em cena, lendo algumas rubricas ou uma deixa do texto quando precisamos.”, diz Joana.

 

Para a diretora, 7 Gatinhos é tão atual que quase não cabe usar essa palavra para descrevê-la. “A peça é eterna. A dramaturgia é uma revanche do feminino, mas não espere por personagens bonzinhos. Na verdade, ninguém tem escrúpulos. O que vemos são essas mulheres se prostituindo, mas sendo donas dos próprios narizes. Ao final, acontece um extermínio do patriarcado”, comenta Medeiros.

foto Pedro Martins

 

Conforme o grupo mergulhava no processo criativo, novas questões foram trazidas, principalmente discussões à respeito de gênero e racialidade. “Amadurecemos muito essas ideias, até por conta da diversidade da equipe, formada por pessoas negras e transgêneros. Ao mesmo tempo, foi importante reforçar nossa presença no bairro e a força da arte”, acrescenta.

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Por esse motivo, Joana se aproximou da Bateria Mirim do Vai-Vai. Os músicos fazem a abertura do espetáculo, recebendo o público desde a fila na rua Jaceguay até entrar no teatro, onde o Vai-Vai toca em cortejo pela pista da rua Lina Bo Bardi. De acordo com a diretora, é uma maneira de seguir o legado de José Celso Martinez Corrêa: o de transar linguagens e buscar novas formas de ocupar a cena.

O elenco é formado por Ana Clara Cantanhede, Bianca Terraza, Gii Lisboa, Henrique Maria, Joana Medeiros, Larissa Silva, Marina Wisnik, Raphael Calheiros, Victor Rosa, Viviane Ganga e Zizi Yndio do Brasil. Há também a presença da banda, formada por Adriano Salhab, André Santana, Fefê Camilo, Lufe Bollini e Victor Rosa.

 

Um novo olhar para o patriarcado

 

Nelson Rodrigues, em seus escritos, toma como eixo central a família enquanto instituição patriarcal secular, marcada por hipocrisia e segredos inconfessáveis. Sua dramaturgia coloca o público diante do seu próprio horror, o acúmulo de mentiras transborda, revelando e desencadeando nas situações mais absurdas.

 

Para o grupo, 7 Gatinhos grita “nós todos somos escravos uns dos outros!! Nós todos somos abusivos uns com os outros!!”. Nesse contexto, até a religião tem seu papel de disfarce na máscara das aparências. Outro aspecto importante da obra é o sentido de classe, ou seja, Nelson traz a tona como a realidade financeira e social de uma família do subúrbio ou de um cortiço, influência nas relações, uma lógica capitalista em que os de “menor valor” são destinados à própria destruição e degradação.

 

A união de todos esses elementos permite um olhar para o patriarcado de maneira mais atual e estética, dando espaço para vozes historicamente silenciadas e, consequentemente, possibilitando a elaboração de traumas individuais e coletivos.

 

A musicalidade da peça, vai do rock (instaurado já nos instrumentos da banda – guitarra, bateria e percussão) passando pelo funk, estão presentes muitas outras referências de músicas brasileiras, como Elza Soares e Erasmo Carlos. As trilhas sonoras composta por diversos tipos de sonoridades, músicas, efeitos especiais, desde músicas instrumentais como “New York Herald Tribune” de Martial Solal para o filme “Acossado” de Godard, o grupo também se inspirou em David Bowie, Laurie Anderson, etc. Outros sons muitos presentes são os naturais do próprio teatro, como o do teto se abrindo e a descida de plataformas. “O espetáculo é muito circense, trabalha com içamentos e, a todo o momento, parece que os atuantes estão se colocando em risco”, afirma Joana.

 

A pesquisa de vídeo da peça também passou por muitas referências como Almodóvar, Tarantino, Neville de Almeida, Kurosawa, Wong Kar-Wai, Coppola, isso serviu tanto para a criação de imagens de divulgação (vídeos e cartazes), como também para pensar vídeos pré-gravados que estão em cena compondo nas telas de projeção, quanto em pensar os enquadramentos e tipos de cenas que as duas câmeras ao vivo (Lufe Bollini e Luz Barbosa) captam e são cortados ao vivo (Diego Arvate).

 

SOBRE O VIRADAS DA ENCRUZA

O grupo nasce em 2024 do encontro entre artistas da companhia Teatro Oficina Uzyna Uzona, que se aproximaram durante o processo de Mutação de Apoteose, dirigida por Camila Mota. Da afinidade artística surgiu o desejo de constituir um núcleo próprio de criação, estruturado a partir de leituras e experimentações práticas.

Ao eleger 7 Gatinhos, de Nelson Rodrigues, como peça-motor, o grupo passou a investigar o texto por meio da “Carpintaria do Ator”, metodologia trazida por Joana Medeiros a partir do trabalho do diretor francês Luc Charpantier. Nesse processo, consolidou-se também o nome do coletivo: Viradas da Encruza.

Sob direção de Joana Medeiros, o grupo apresentou, em 25 de dezembro de 2024, uma performance do terceiro ato da obra, com casa lotada em pleno Natal — experiência que funcionou como embrião para a montagem integral. A estreia da versão completa ocorreu em 10 de junho de 2025, inicialmente em sessões às terças e quartas, depois passando às segundas e terças.

Viradas da Encruza segue aprofundando sua pesquisa na fronteira entre performance e teatro, tensionando e ao mesmo tempo devorando o próprio Oficina como espaço vivo de formação e experimentação artística

Sinopse

Dona Aracy, a Gorda, e Seu Noronha, contínuo da Câmara dos Deputados, vivem num cortiço do Bixiga com suas cinco filhas. Entre silêncios, tapas, gritos e pequenas barganhas, o pai fecha os olhos para os rumos que cada uma toma, contanto que a engrenagem da casa continue girando.

 

Mas é a virgem Silene — guardada em um colégio interno como promessa de pureza e futuro — que desmancha o equilíbrio frágil da família. Seu retorno inesperado desencadeia tensões que transbordam os limites da casa, trazendo à tona todo mal cheiro e podridão que se escondiam nas frestas do cortiço.

 

O público está envolvido pelos habitantes desse cortiço, são testemunhas e cúmplices dos crimes, numa proximidade promíscua, ou no mínimo duvidosa.

No coração do Bixiga, uma família apodrece em um retrato fiel de uma sociedade inteira.

 

FICHA TÉCNICA

TEAT(R)O OFICINA UZYNA UZONA

VIRADAS DA ENCRUZA

Dramaturgia: Nelson Rodrigues

Direção: Joana Medeiros

Assessoria de direção: Ana Clara Cantanhede y Victor Rosa

Atuação: Ana Clara Cantanhede, Bianca Terraza, Gii Lisboa, Henrique Maria, Joana Medeiros, Larissa Silva, Marina Wisnik, Raphael Calheiros, Victor Rosa, Viviane Clara Gangá, Zizi Yndio do Brasil

Cantora do cortiço: Jup do Bairro

O Ponto: Artur Medeiros

Banda: Adriano Salhab, André Santana, Fefê Camilo, Victor Rosa

Direção Musical: Adriano Salhab y Viradas da Encruza

Sonoplastia: Adriano Salhab y Nine

Desenho e operação de som: Nine

Técnico de som: DJ Clevinho y Julia Ávila

Bateria Mirim do Vai-Vai

Diretor Musical do Vai-Vai: Danilo Alves

Direção de Cena: Gii Lisboa, Larissa Silva

Direção de Arte y Cenografia: Alex de Tata y Viradas da Encruza

Direção de Luz: Angel Taize

Operação de foco móvel: Adler Cristian, Afonso Costa, Felipe Soares, Victória Pedrosa

Direção de Comunicação: Zizi Yndio do Brasil

Assessoria de Comunicação: Ana Clara Cantanhede

Assessoria de Imprensa: Canal Aberto Comunicação

Fotografia: Pedro Martins

Desenho e Operação de vídeo: Diego Arvate

Câmera ao vivo: Aleph Antialeph, Lufe Bollini, Luz Barbosa

Camareira: Sellma Paiva

Contrarregras: Artur Medeiros, Rafael Castilho, Yan

Produção: Sônia Esper y Raphael Calheiros

Produção de Campo: João Estevão

Assessoria de produção: Victor Rosa, Zizi Yndio do Brasil

Produção Executiva e Administração Teat(r)o Oficina: Anderson Puchetti

Bilheteria: Artur Medeiros, João Estevão, Rafael Castilho, Sônia Esper

Figurino: Arianne Vitale y Casa de Acervo Oficina

Assessoria de Figurino: Mandy Justo

Objetos de cena: Arianne Vitale y Casa de Acervo Oficina

Maquiagem: Erica Gabriela y Zizi Yndio do Brasil

Bombeira: Amanda Aguiar

Conselheira-poeta: Camila Mota

Conselheiros Poetas Cósmicos: Catherine Hirsch, Denise Assunção,Vera Valdez, Zé Celso Martinez Corrêa y Zuria

Apoio de Monique Gardenberg

 

FICHA TÉCNICA DA CASA DE ACERVO OFICINA

Gestão: A Arte da Direção de Cena
Consultoria de Preservação y Restauro do Acervo: Claudia Nunes
Diretor Executivo da Cia: Anderson Puchetti
Camareira Guardiã dos Figurinos: Cida Melo
Alessandra Cavaco, Elisete Jeremias, Bianca Terraza, Gii Lisboa, Fernanda Pappalardo, Isabela Porto, Mabel Ikeda Alves, Larissa Silva,  Thamires Marquês, Victor Rosa, Zizi Yndio do Brasil.

 

APOIOS

Beale Bebidas, Casa de Acervo. Oficina, Centro de Memória do Circo, Cordeiro Lima, Dueto Produções, Mercadinho Monteiro, Mercado Condemerc, Piolin, Oplay Mercado, Sacolão Bela Vista, Start Clean Fa beleza, Fabio Araujo e Kazuo Ota

 

AGRADECIMENTOS
Aboud, Alex de Tata, Cafira Zoé, Camila Mota, Cesalpina, Cris Cordeiro, Cristiano Vieira de Lisboa, Dan Salas, Diego Monte, Fernanda Araújo, Giovanna Barros, Igor Marotti, Joel Carlos, Juraci Vieira, Lidia Lisboa, Marília Piraju, Marli dos Santos Lima, Monique Gardenberg, Vera Valdez, Verônica Tamaoki, Paloma Silva, Roseli Aparecida Ferreira de Oliveira, Saphirah, Vick Nefertiti e Water Mancini

 

SERVIÇO

7 GATINHOS
Duração:
 150 minutos | Classificação: 16 anos

Data: 20 de junho a 12 de julho de 2026

Sextas e sábados, às 20h e domingos, às 19h

Local: Teatro Oficina – Rua Jaceguai, 520 – Bixiga, São Paulo, SP

Ingressos vendidos pela Sympla, por lotes:

1º LOTE – 30 reais /15 reais – 11 de maio a 18 de maio

2º LOTE – 40 reais /20 reais – 18 de maio a 25 de maio

3º LOTE – 60 reais /30 reais – 25 de maio a 1 de junho

4º LOTE – 80 reais /40 reais – 01 de junho a 08 de junho

5º LOTE – 100 reais /50 reais – 08 de junho até 12 de julho

ENXOVAL DE SILENE (ingresso de apoio ao espetáculo) – 150 reais

Ingressos disponíveis enquanto durarem os estoques. 

 

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