
O Itaú, um dos maiores bancos privados do Brasil, anunciou o encerramento de seu segmento Emps+, um serviço interno dedicado ao atendimento empresarial. A decisão, oficializada no final de maio, pegou centenas de funcionários de surpresa e gerou um clima de forte preocupação em agências por todo o país. A reestruturação resultou na demissão de quase 400 profissionais, levantando questionamentos sobre os critérios de avaliação e o futuro do trabalho bancário.
De acordo com informações divulgadas pelo Sindicato dos Bancários, cerca de 350 trabalhadores foram dispensados sem um plano formal de transição, enquanto apenas 50 serão mantidos e realocados em novos projetos internos. Este movimento reflete uma tendência de digitalização e otimização de custos que tem impactado diversos setores, mas que, no contexto bancário, acende um alerta para a estabilidade dos empregos e a qualidade do suporte aos clientes.
O fim do Emps+ e o impacto nas equipes do Itaú
O segmento Emps+, que teve uma vida relativamente curta de aproximadamente 10 meses, foi lançado em meados de 2025 como uma estratégia inovadora para oferecer um suporte mais personalizado a empreendedores e clientes corporativos selecionados. Sua proposta era um atendimento humano e próximo, diferenciando-se das modalidades mais automatizadas. Contudo, a abrupta descontinuação do serviço, anunciada no final de maio e oficializada no dia 27, contrasta com a expectativa inicial de um modelo de sucesso.
A decisão de encerrar o Emps+ e as consequentes demissões geraram um impacto significativo nas equipes. A dispensa de 350 bancários sem um plano de transição claro, somada à realocação de apenas 50, levanta preocupações sobre o suporte oferecido aos profissionais em um momento de incerteza. O Sindicato dos Bancários tem acompanhado de perto a situação, cobrando do Itaú maior transparência nos processos de Recursos Humanos e nos critérios que levaram a essa reestruturação.
Queixas dos bancários: metas, custos e sobrecarga
A reestruturação no Itaú veio acompanhada de uma série de queixas por parte dos trabalhadores, que apontam problemas nas ferramentas de gestão e nas novas exigências do dia a dia. Um dos principais pontos de conflito é a falta de transparência e a subjetividade no modelo de avaliação de desempenho. Há relatos de bancários que comprovaram o atingimento de suas metas contratuais, mas que, ainda assim, foram classificados como “abaixo do esperado” devido a supostas falhas e omissões de pontos no sistema interno do banco.
Além disso, os funcionários que migraram para a modalidade Pro, que exige visitas a clientes, reclamam de custos extras não adequadamente compensados. Segundo eles, o reembolso de combustível oferecido pelo banco está abaixo dos preços praticados nos postos, e o uso de transporte por aplicativo é proibido, gerando um ônus financeiro para os profissionais. A crise interna também se reflete na operação diária das agências, com unidades desfalcadas devido a férias e afastamentos médicos, levando a uma sobrecarga severa. Em alguns casos, apenas cinco gerentes ativos precisam administrar carteiras com mais de 15 mil clientes, o que compromete a qualidade do atendimento e o bem-estar dos funcionários.
A pressão atinge também a média liderança, com gerentes gerais buscando recolocação no organograma do banco, o que dificulta o suporte e a orientação às equipes de base em um momento tão delicado.
A resposta do Itaú e a reorganização do atendimento
Em resposta formal enviada ao Sindicato dos Bancários, o Itaú afirmou que as demissões estão sendo realizadas “exclusivamente por performance” e negou a existência de erros ou distorções no sistema de aferição de produtividade. Essa posição, no entanto, não acalmou os ânimos dos trabalhadores, que continuam a questionar a validade dos critérios aplicados e a falta de clareza nos processos.
Com o fim do segmento Emps+, a dinâmica de atendimento aos clientes também sofreu alterações imediatas. Os clientes que pertenciam a essa modalidade estão sendo redistribuídos entre as opções Pro, Pro-Smart e Emps (autoatendimento digital). Uma parte significativa da carteira migrará para o modelo Pro Remota, com atendimento digital centralizado em São Paulo. Para os 50 profissionais que foram mantidos, as vagas serão divididas entre o setor de suporte de transbordo da Inteligência Artificial (IA) e uma futura versão digital do segmento Pro, que ainda está em fase de estudos. Essas mudanças refletem a aposta do banco em soluções tecnológicas e na otimização de seus canais de atendimento, buscando maior eficiência e redução de custos operacionais.
O papel do sindicato e o cenário futuro para o Itaú
Diante do cenário de demissões e reestruturações, o Sindicato dos Bancários reforçou seu compromisso em continuar monitorando de perto a situação nas agências e cobrando total transparência nos processos de Recursos Humanos do banco. A entidade busca garantir que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados e que os critérios de avaliação de desempenho sejam justos e claros. A atuação sindical é crucial para mediar o diálogo entre os funcionários e a instituição financeira, buscando soluções que minimizem o impacto social e econômico dessas decisões.
Este episódio no Itaú não é isolado e se insere em um contexto mais amplo de transformações no setor bancário. A crescente digitalização, a automação de serviços e a busca por maior eficiência operacional têm levado a reestruturações em diversos bancos, com impactos diretos no quadro de funcionários. Para os leitores do Fato Paulista, compreender esses movimentos é fundamental para entender as dinâmicas do mercado de trabalho e as tendências que moldam a economia. Continuaremos acompanhando de perto os desdobramentos dessa notícia e outras informações relevantes para o cenário nacional.
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