Margareth Menezes: cultura é chave para qualificação e emancipação social no Brasil

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A ministra Margareth Menezes ressalta que a cultura é vital para a qualificação e emancipação, impulsionando saberes tradicionais e economia criativa.
© Tomaz Silva/Agência Brasil
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A ministra da Cultura, Margareth Menezes, enfatizou a importância do investimento no setor cultural como um motor de qualificação e emancipação social, destacando o papel fundamental dos saberes tradicionais e populares. A declaração foi feita durante sua participação na 6ª edição da Teia Nacional dos Pontos de Cultura, evento que reuniu diversas comunidades em Aracruz, no Espírito Santo, com foco na justiça climática.

O encontro, que se estendeu de terça-feira (19) a domingo (24), proporcionou um espaço de diálogo entre representantes de povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhas e periféricas, além de autoridades governamentais. O objetivo central foi discutir estratégias para mitigar os impactos da crise climática, partindo da rica herança das culturas tradicionais brasileiras.

Cultura e justiça climática: um elo essencial

A ministra Margareth Menezes ressaltou como a cultura pode ser uma ferramenta poderosa para promover uma mudança de comportamento em relação à natureza. Segundo ela, enquanto há muitos exemplos de destruição ambiental, existem também inúmeras memórias e práticas de preservação, especialmente entre os povos originários e de terreiro.

“Já existem exemplos demais de como destruir a natureza, mas existem muitas memórias também de como preservar”, afirmou a ministra. Ela defende que é crucial dar visibilidade a esses modelos de convivência sustentável, que se manifestam na maneira de vestir, comer e se relacionar com o meio ambiente, e que são essenciais para a manutenção da vida no planeta.

Investimento cultural: qualificação e autonomia

Em entrevista à Agência Brasil, Margareth Menezes sublinhou o potencial transformador do investimento em cultura. Para a ministra, o setor não apenas qualifica e emancipa indivíduos, mas também impulsiona a economia, gerando emprego e renda. “Quem faz a cultura é o ser humano. É um investimento que tem uma potência de mudança, de qualificar, também de emancipar, [com] mais geração de emprego e renda”, explicou.

Essa visão integra a cultura não apenas como expressão artística, mas como um componente vital para o desenvolvimento humano e econômico. A ministra destacou que o Ministério da Cultura (MinC) está trabalhando para fortalecer a política da economia criativa, reconhecendo o aspecto financeiro intrínseco às atividades culturais.

Valorização dos saberes e políticas para os povos

A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura teve uma forte presença de povos originários, o que a ministra considerou fundamental para a valorização da identidade cultural brasileira. Ela enfatizou que esses grupos, juntamente com os povos de matriz africana, são guardiões de memórias e conhecimentos transmitidos de geração em geração, contribuindo imensamente para a formação social do país.

Durante o evento, ocorreu o primeiro encontro para a construção do Plano Nacional das Culturas Indígenas. Além disso, foram assinados atos normativos importantes, como o decreto da Política Nacional para as Culturas Tradicionais e Populares. Essas ações visam estabilizar e ampliar as políticas públicas para a cultura popular, garantindo mais proteção, qualidade e investimentos para essa base produtiva cultural brasileira.

A ministra mencionou também a luta pela profissionalização e reconhecimento dos mestres e mestras da cultura popular, que detêm conhecimentos de excelência e são essenciais para a preservação da memória cultural. O Plano Nacional das Culturas Indígenas, por sua vez, está sendo construído de forma dialógica e participativa, com a colaboração do Ministério dos Povos Originários e a escuta ativa das diversas culturas indígenas, que englobam cerca de 300 línguas ainda preservadas.

A força da Teia e a reconstrução do MinC

A retomada da Teia Nacional dos Pontos de Cultura após 12 anos é vista como um marco para recuperar e fortalecer a conexão entre os pontos e pontões de cultura, que são ativos da sociedade civil em todo o país. O Ministério da Cultura credencia essas ações a partir do reconhecimento e da repercussão que elas geram nas comunidades locais.

Sob a atual gestão, o número de pontos de cultura cadastrados saltou de 4 mil para 16 mil, um indicativo da vitalidade cultural do Brasil. A política Cultura Viva, que completa 22 anos, já é replicada em 14 países, com a recente inauguração do primeiro ponto de cultura brasileiro na Ásia, em Xangai, na China, demonstrando a força da cultura nacional.

A ministra também fez um balanço da reconstrução do MinC, destacando o avanço significativo na popularização das políticas culturais. Atualmente, cerca de 96% das cidades brasileiras estão conectadas a programas como a Lei Paulo Gustavo ou a Lei Aldir Blanc, que representam um aporte direto do governo federal para estados e municípios. A nacionalização do mecanismo de fomento da Lei Rouanet, que hoje alcança todos os estados, é outro avanço importante. Essas iniciativas visam garantir que o setor cultural de cada cidade e estado seja alimentado e fortalecido, consolidando um novo momento para a cultura no Brasil.

O Fato Paulista segue acompanhando os desdobramentos das políticas culturais e seus impactos no desenvolvimento social e econômico do país. Mantenha-se informado com nossa cobertura aprofundada e contextualizada sobre os temas que moldam o futuro do Brasil.

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