Cemitério de Itaquera – O choque entre modernização e conservação do patrimônio

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Recentemente estive, novamente, no Cemitério de Itaquera, o antigo, localizado na Vila Carmozina, e deparei-me com grandes mudanças em relação ao espaço que conheci na infância e juventude.
Cemitério de Itaquera
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Não sou um saudosista, tampouco alguém que critica a evolução, a modernização ou a adaptação às novas necessidades da sociedade. Ao contrário: sou um senhor de 75 anos que procura estar sempre em sintonia com os avanços e transformações sociais, inclusive tecnológicos, mantendo-me ativo e produtivo junto ao mercado de trabalho e às novas gerações.

Entendo, porém, que a memória e a preservação dos bens patrimoniais de uma comunidade podem ser valorizadas e divulgadas, independentemente das demandas de adaptação e modernização. Preservar e evoluir não são ações antagônicas; ao contrário, podem e devem caminhar juntas.

Recentemente estive, novamente, no Cemitério de Itaquera, o antigo, localizado na Vila Carmozina, e deparei-me com grandes mudanças em relação ao espaço que conheci na infância e juventude. Naquele tempo, além de acompanhar velórios de amigos e parentes, eu também ia ao cemitério caçar passarinhos como pintassilgos e coleirinhas — uma atividade que hoje, com a consciência da preservação ambiental, reconheço como condenável, e da qual me arrependo.

Cemitério de Itaquera

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Com a privatização de grande parte dos cemitérios da cidade de São Paulo, tema sobre o qual não cabe aqui discutir se sou a favor ou contra, e diante do crescimento populacional, tornou-se necessário buscar novas soluções para o sepultamento dos cidadãos. Nesta visita, encontrei a proposta dos jazigos verticais, que maximizam o uso dos espaços cada vez mais escassos na metrópole. Trata-se de uma solução prática, acessível e eficiente, que ainda preserva os eucaliptos seculares existentes, os quais já se transformaram em verdadeiros patrimônios naturais de Itaquera.

Em contrapartida, constatei que a parte antiga do cemitério encontra-se totalmente abandonada e vandalizada. Uma capela secular, que deveria ser tombada pelo patrimônio cultural da cidade, está em ruínas, com portas bloqueadas por blocos de cimento para evitar invasões e depredações. Jazigos de famílias tradicionais, pioneiros de Itaquera, estão destruídos, compondo um cenário de desrespeito à memória daqueles que ali repousam.

Logo na entrada do velho cemitério, observei uma placa da administradora convocando os familiares responsáveis pelos jazigos a atualizarem seus cadastros. Este é um primeiro passo para que administradora e proprietários atuem juntos na busca de soluções para revitalizar o patrimônio de Itaquera e devolver dignidade à memória dos que ali descansam.

Sugiro que a administradora dê o exemplo inicial, restaurando as áreas comuns — como as avenidas internas e a capela, reabrindo-a ao público visitante. Esse gesto certamente motivaria as famílias a investirem na recuperação de seus jazigos. Além disso, a administradora poderia reduzir a burocracia, permitindo que os proprietários escolham seus próprios empreiteiros para realizar as obras, desde que sigam um protocolo previamente definido. Outra medida possível seria oferecer linhas de financiamento para aqueles que desejam reformar, mas não dispõem de recursos suficientes.

Com boa vontade e respeito à história e ao patrimônio da comunidade, certamente será possível encontrar soluções conjuntas para preservar este pequeno pedaço de terra que guarda a memória de um povo que ajudou a construir e desenvolver o bairro e a cidade.

Marcos Falcon

Cidadão Itaquerense.

 

   Resposta ao jornal Fato Paulista

 

Em atenção ao pedido de informações quanto a conservação do Cemitério Itaquera, informamos primeiramente que o Cemitério é do tipo misto e ocupa uma área de pouco mais de 111mil m2. A maior parte é ocupada por sepulturas em superfícies gramadas que abrigam 9.888 terrenos para sepultamento. Em parte dessa área a Velar já instalou cerca de 5.800 gavetas subterrâneas de sepultamento, atendendo à exigência de não mais haver sepultamentos em terra, vigente desde janeiro de 2024

Uma área menor do cemitério, onde ele teve sua origem por volta de 1929, é ocupada pelo chamado ‘cemitério velho’, caracterizado por sepulturas com jazigos edificados, com contratos de cessão às famílias. Importante frisar que a manutenção estrutural, conservação e eventuais reparos destes jazigos é de responsabilidade exclusiva das famílias proprietárias.

A administração do Cemitério realiza vistorias periódicas e, quando identifica qualquer comprometimento estrutural ou necessidade de intervenção nos jazigos, os respectivos cessionários são devidamente comunicados para que adotem as providências cabíveis. Em casos de constatação de ruína da edificação tumular e após as devidas notificações e prazos legais decorridos sem que haja ação da família cessionária, a Concessionária poderá efetuar o Comisso, encerrando a cessão e retomando o túmulo. Só então ela poderá intervir unilateralmente na edificação. A Velar também pede que as famílias que mantêm túmulo familiar no cemitério Itaquera procurem a Administração para averiguar se a situação de seu jazigo está regular.

Já a manutenção e conservação estrutural das áreas de circulação entre essas edificações é de responsabilidade da concessionária. Essas áreas comuns do chamado ‘cemitério velho’ receberão obras de recuperação da pavimentação e da Capela, novo paisagismo e instalação de rede elétrica e iluminação. Essas obras fazem parte do chamado Plano de Intervenção, apresentado à SP Regula e que está em fase de avaliação e eventuais ajustes.

Ainda dentro do Plano de Intervenção apresentado, o cemitério Itaquera receberá nova fachada e quatro novas salas de velório. As atuais salas serão todas reformadas. As vias internas receberão novo pavimento e as instalações externas prediais, como banheiros e área administrativa, também receberão melhorias.

Do ponto de vista estrutural do cemitério já foram realizadas obras emergências de drenagem, contenção e muros, além de melhorias nas salas de velório, área administrativa e área de circulação adjacente.

Novas obras para a readequação da drenagem também estão previstas no Plano de Intervenção, que contempla ainda a melhoria da iluminação dos locais do entorno externo e acesso para deficientes. Todos os projetos estão sob análise da Prefeitura e serão iniciados assim que houver autorização por parte do Poder Concedente. A segurança, que atualmente já conta com vigilância motorizada, será intensificada com a ampliação da instalação de câmeras de segurança CFTV.

Quanto a manutenção regular das demais áreas comuns, o Cemitério Itaquera conta com uma equipe fixa de colaboradores para limpeza e manutenção diária de toda a área. O trabalho é realizado de forma contínua e organizada, abrangendo 16 espaços distintos, os quais recebem limpeza diária conforme cronograma operacional.

Além da limpeza rotineira, é executado um ciclo de roçagem a cada 15 dias em cada espaço, garantindo que a vegetação permaneça sob controle e que o ambiente se mantenha adequado para visitação. Informamos ainda que o cronograma de roçagem está em dia.

Ressaltamos que, em períodos de maior incidência de chuvas, pode ocorrer crescimento mais acelerado da vegetação, exigindo reforços pontuais, os quais são prontamente atendidos pela equipe responsável.

A administração do cemitério Itaquera permanece atenta às demandas da comunidade e reafirma seu compromisso com a manutenção, organização e respeito às famílias que utilizam o local.

Carlos Arruda Assessoria de Imprensa Velar

 

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