Fundado oficialmente em 1990, o Partido Trabalhista Cristão (PTC) é um dos muitos partidos da chamada “linha auxiliar” no cenário político brasileiro. Pequeno em número de filiados, pouco presente no Congresso Nacional, mas com uma trajetória que já teve momentos de protagonismo.
Origens e fundação:
O PTC nasceu com outro nome: Partido da Reconstrução Nacional (PRN). Foi com essa sigla que Fernando Collor de Mello chegou à Presidência da República em 1989, vencendo a primeira eleição direta após o regime militar. No entanto, após o escândalo de corrupção e o impeachment de Collor em 1992, o PRN mergulhou na irrelevância.
Foi só em 2000 que o partido foi rebatizado como PTC, numa tentativa de se distanciar do passado turbulento e se reinventar. A nova identidade veio acompanhada de um discurso mais conservador e cristão, embora na prática o partido tenha mantido um perfil pouco ideológico, frequentemente associado a coligações pragmáticas.
Ideologia e posicionamentos:
Apesar do nome e da referência ao trabalhismo, o PTC nunca teve forte vínculo com a tradição trabalhista de Getúlio Vargas ou Leonel Brizola. Seu discurso costuma resgatar valores cristãos, nacionalistas e de ordem social, mas sua atuação parlamentar tem sido marcada mais por alianças circunstanciais do que por uma linha ideológica definida.
Em diversas eleições, o PTC apoiou candidatos de perfis distintos, o que reforça a percepção de que atua mais como uma legenda de aluguel do que como força programática consolidada.
LEIA TAMBÉM: O “Boom” dos partidos políticos nos anos 90
Além de Collor, que rapidamente se afastou da sigla após o impeachment, o PTC abrigou figuras de destaque esporádico, como o ex-deputado Daniel Tourinho, um dos articuladores da refundação do partido nos anos 90. Mais recentemente, o pastor Levy Fidelix, famoso por declarações polêmicas e por candidaturas presidenciais folclóricas (embora tenha concorrido pelo PRTB), manteve relações próximas com o PTC.
Em 2018, o partido lançou o pouco conhecido José Maria Eymael como candidato à presidência, numa campanha sem grande repercussão.
Atualmente, o PTC vive à margem do sistema político. Após a cláusula de barreira implementada em 2017, que exige desempenho mínimo nas urnas para acesso ao fundo partidário e tempo de TV, o partido perdeu força. Em 2022, não elegeu nenhum deputado federal e ficou fora de coligações mais relevantes.
Há rumores frequentes de fusões com outros partidos pequenos, como PMN, PRTB ou DC, numa tentativa de sobrevivência institucional. Até agora, nenhuma dessas articulações vingou.
Apesar de sua pouca expressão atual, o PTC ainda está registrado oficialmente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e mantém diretórios estaduais, sobretudo em estados do Norte e Nordeste. Sua sobrevida depende de articulações locais, da possibilidade de abrigar candidatos oportunos e, talvez, de uma nova reinvenção.
Documentário indicado:
Confisco – 2021
Hbo Max




