A definição de “lixo” é algo que não tem mais utilidade, mas, quando olhamos com mais atenção o resíduo domiciliar, ou seja, o nosso lixo doméstico, percebemos que muito do que jogamos fora poderia ter outros destinos. Inevitavelmente, nos deparamos com muitos materiais recicláveis que poderiam ser encaminhados para a coleta seletiva. Há casos, ainda, de itens como roupas, brinquedos e móveis sem uso, entre muitos outros, que jogamos fora quando poderíamos doar para outras pessoas ou instituições de caridade.
Tudo o que sai de nossas casas em um saco de lixo vai ocupar espaço em algum lugar. Se a destinação for feita de forma ambientalmente adequada, como ocorre em São Paulo, será em um aterro sanitário. Mas, infelizmente, além de muitas pessoas ainda descartarem resíduos em rios, lagos e outros pontos inadequados, ainda existem milhares de lixões espalhados pelo Brasil.
Precisamos prestar atenção em nossos hábitos de consumo, bem como à forma como descartamos o que consideremos que é “lixo”, pois, sem dúvida, são ações que provocam reações, positivas ou negativas. Quando separamos os materiais recicláveis e disponibilizamos para que o caminhão da coleta seletiva os recolha, há dois efeitos positivos. Um é social, pois aqueles materiais serão levados para cooperativas de catadores, que vendem para indústrias recicladoras o papelão, plástico, latas de alumínio e outros produtos, obtendo daí o seu sustento financeiro. O segundo impacto positivo é ambiental, pois, como os materiais serão reinseridos na economia, há menor pressão para explorar novos recursos naturais.
A cidade de São Paulo conta com infraestrutura robusta para garantir que os materiais recicláveis separados pela população sejam reaproveitados. O serviço de coleta seletiva, por exemplo, desde agosto do ano passado é prestado em todas as vias das 19 subprefeituras atendidas pela Ecourbis, nas zonas sul e leste. Além disso, para o caso de alguma cooperativa não ter condições de separar o material, ele é encaminhado para a Central Mecanizada de Triagem Carolina Maria de Jesus, operada pela Ecourbis. Lá, é possível separar até 250 toneladas de resíduos recicláveis por dia, pois são empregados diversos equipamentos que fazem uma triagem prévia. Dessa forma, o trabalho dos cooperados que atuam na Central Mecanizada é controlar a qualidade dos materiais.
A prefeitura de São Paulo, por meio da concessionária Ecourbis Ambiental, está investindo em novas tecnologias para que que o lixo deixe de ser um passivo ambiental e se torne um ativo. Um exemplo é o biogás gerado no Aterro Sanitário CTL – Central de Tratamento de Resíduos Leste, que foi construído e é operado pela Ecourbis, está sendo utilizado para produzir energia elétrica e o combustível chamado biometano, equivalente ao gás natural. A diferença entre eles é que o biometano não é fóssil, portanto, gera menos gás carbônico.
Seguindo uma determinação da prefeitura de São Paulo, a Ecourbis irá substituir toda a sua frota de veículos movidos a diesel por outros que utilizam combustíveis alternativos, como o biometano e elétricos. Até outubro deste ano, serão substituídos 158 veículos, sendo 147 (caminhões e carretas) a biometano e 11 (vans para coleta de resíduos dos serviços e triciclos para apoiar a coleta em comunidades carentes) elétricos.
Outra inovação que em breve será realidade é a criação de dois Ecoparques, um na zona sul e outro na zona leste, locais que adotarão diferentes tecnologias para valorizar os resíduos.
Equipamentos similares aos que existem na Central Mecanizada de Triagem Carolina Maria de Jesus farão a separação dos materiais recicláveis misturados no lixo comum. Com isso, o índice de reciclagem na cidade de São Paulo deverá aumentar.
Materiais recicláveis que não puderem ser aproveitados serão utilizados para produzir o CDR, sigla de Combustível Derivado de Resíduos. A indústria cimenteira utiliza o CDR em larga escala, em substituição ao coque de petróleo. Considerando que apenas na área atendida pela Ecourbis são recolhidas diariamente 7 mil toneladas de resíduos, em média, o potencial de valorização dos resíduos é expressivo.
Outro investimento de peso é a instalação de Unidades de Recuperação Energética (UREs), equipamentos que geram energia elétrica a partir da incineração dos resíduos, um sistema empregado em muitos países desenvolvidos.
A gestão de resíduos na capital paulista está sendo aprimorada para alcançar um novo patamar, com benefícios ainda maiores para cooperativas, para o meio ambiente e para toda a sociedade.
É primordial, contudo, que a população também contribua, disponibilizando os sacos com os resíduos na calçada apenas no dia que cada um dos serviços – coleta comum e seletiva – é realizado. Outra dica é prestar atenção aos hábitos de consumo para evitar desperdícios, algo que reduz a necessidade para explorar novos recursos naturais, e representa uma economia doméstica valiosa.
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