Aureliano Barreiros – Um Itaquerense que fez a diferença.

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Sr Aureliano Barreiros, um farmacêutico meio médico e meio alquimista que, sem dúvida alguma, foi um Itaquerense que fez a diferença.
Aureliano Barreiros
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Aureliano Barreiros nasceu em 31 de julho de 1894 na cidade de Iguape, litoral sul de nosso estado. Filho de uma família de produtores de arroz que, por dificuldades de viverem no campo, mudaram-se para a área urbana da cidade. Aureliano, ainda garoto, teve seu primeiro emprego como ajudante do acendedor de lampiões que era seu pai. 

Já um pouco maior, o menino Aureliano arrumou emprego em uma farmácia local cujo dono era o Senhor Ricardo Krone, um alemão, humanista, cientista e pesquisador. 

Aos 18 anos, a família transferiu-se para São Paulo, Capital e aqui nosso personagem foi trabalhar na farmácia de nada mais nada menos que Bráulio Gomes, quem criou a Escola Livre de Farmácia, mais tarde denominada Escola de Farmácia, Odontologia e Obstetrícia.  

Aureliano se formou e foi diplomado como farmacêutico em 1920 e, em 1934, casou-se com a professora Edméa Roland, foi quando decidiram desenvolver suas vidas e criar uma família em Itaquera, onde sua esposa passou a lecionar. 

Em 1934, o já Doutor Aureliano Barreiros comprou a farmácia do Senhor Augusto Secler situada na Rua da Estação, em Itaquera, um local privilegiado de passagem dos pedestres que acessavam a estação ou nela chegavam. 

Aureliano Barreiros
I921. Diploma de Farmacêutico pela Escola de Pharmacia e Odontologia.
1913, diploma de sócio efetivo da União Pharmaceutica de São Paulo.

  

Nesta época, Itaquera era constituída praticamente por chácaras, umas pequenas e outras grandes e prósperas, que formavam o cinturão verde de nossa capital, de onde saiam as frutas e verduras para abastecer a Cidade.   

A farmácia do Sr Barreiros, tendo à frente um profissional experiente e formado pela Escola Superior de Farmácia, tornou-se referência, sendo mais que uma farmácia, atuava como um ponto de primeiros socorros, onde o mestre habilidoso fazia curativos, costurava os cortes, aviava receitas, manipulava os sais e produzia seus próprios remédios além de aconselhar sobre alimentação e prevenção a doenças. 

Esta era a Farmácia do Sr. Barreiros ao lado da casa em que moravam, ao fundo pode ser vista a torre da Igreja Matriz de Itaquera.

Seu Barreiros era temido pela garotada, pois seu nome sempre era utilizado pelos pais para que os filhos se comportassem para não se machucarem ou ficarem doentes, caso contrário teriam que chamar o Seu Barreiros, que era sinônimo de injeções e remédio ruim. 

O Pilão, onde o alquimista manipulava suas fórmulas.

Eu, que aqui tenho o prazer de relatar sobre o nosso farmacêutico, fui “vítima” de suas agulhadas e pontos tanto com linha como com aqueles terríveis de latinha que grampeavam a carne. Como moleque travesso que fui, e como muitos outros, éramos frequentadores assíduos de sua farmácia. Dizem os mais antigos que, se forem colocados um na frente do outro, todos os pontos dados por Seu Barreiros, na criançada do bairro, dariam para ligar Itaquera a Arthur Alvim, ida e volta. 

Este mestre servidor dos Itaquerenses foi um homem simples e humilde, que não media esforços para atender a quem dele necessitasse, sendo comum ir às casas dos enfermos com sua marmita para desinfectar as agulhas e seringas, e uma espiriteira a base de álcool, onde seus instrumentos eram fervidos à cada atendimento, pois na época não havia equipamentos descartáveis. 

Seu Barreiros atendia sem mesmo saber se iria receber pelos serviços e remédios, e muitas vezes recebia em pagamento, uma galinha, ovos, frutas e verduras que eram as riquezas dos quintais dos Itaquerenses. Por vezes, nada recebia e o cliente ou paciente ficava comprometido moralmente quando pudesse passar na farmácia para acertar suas contas que nunca seriam cobradas. 

Aureliano Barreiros
Casal Aureliano e Edméa

Seu Barreiros e Dona Edméa tiveram 5 filhos, sendo: Inah Barreiro Montez; Ilza Barreiros Fernandez; Aureliano Roland Barreiros (o Vavá); Ilzete Barreiros Nascimento e Josmar Roland. 

Este casal tinha uma atuação ativa junto à comunidade de Itaquera e foram os responsáveis pela criação do Jardim de Itaquera na frente da estação, apreciado e frequentado por todos de nossa geração. 

Em 21 de janeiro de 1963, Dona Edméa faleceu, sendo enterrada no túmulo da família no Antigo cemitério de Itaquera, na Vila Carmozina.  

Em 1965, já cansado, nosso mestre passou a batuta e a farmácia para seu filho Vavá que continuou o trabalho do pai, juntamente com os discípulos Juca e Alcides, para uma Itaquera agora em franco desenvolvimento. 

Em 22 de junho de 1976, nosso querido DR Aureliano Barreiros faleceu aos 81 anos e foi ao encontro de sua musa Dona Edméa, deixando um legado que nunca será esquecido. 

Por seus préstimos e reconhecendo todo trabalho e dedicação deste mestre da farmacêutica, a Prefeitura de São Paulo deu seu nome a uma importante rua de Itaquera. 

Obrigado, DR Aureliano Barreiros. 

Nós Itaquerenses somos gratos a tudo que fez por nós e pelos nossos pais e avós e jamais vamos esquecer do senhor. 

Agradecemos imensamente a colaboração de seu neto Catão Montez Neto e seu primo Arnaldo Batista do Nascimento Júnior, que nos forneceram todas as informações e imagens que aqui divulgamos. 

Gostaria que todos que tiverem acesso a este texto e foram socorridos pelo.  

Dr. Barreiros, que relatem aqui sua experiência e o agradecimento ao mesmo.  

 

Por Marcos Falcon. 

 

 

 

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